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Com as aulas presenciais suspensas desde março, redes enfrentam a dificuldade de mobilizar os pais e responsáveis pelas crianças. O ‘Guia de Implementação de Estratégias de Aprendizagem Remota’ traz orientações para conduzir o processo

Uma pesquisa recente feita pelo Datafolha mostrou que 24% dos alunos das escolas municipais e estaduais do Brasil não estão realizando atividades pedagógicas em casa. Na justificativa de 40% dos pais e responsáveis cujos filhos estão nessa situação, o problema se deve à falta de comunicação das escolas, que não teriam entrado em contato ou passado informações. Outra parcela considerável (38%) disse simplesmente não saber o motivo de seus filhos não estarem estudando.

Realizado entre 18 e 29 de maio a pedido da Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, o levantamento revela o grande desafio dessa experiência com a aprendizagem remota: a comunicação com as famílias.

“Essa interação com os familiares é fundamental para o sucesso das práticas pedagógicas não presenciais. Quando os responsáveis pelos  jovens recebem informações e apoio das escolas, eles se sentem mais comprometidos e conseguem mobilizar as crianças e jovens para estudar, realizar as tarefas e se comunicar com os professores”, afirma Jéssica Nunes, especialista em Educação do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB).

Com o objetivo de ajudar as redes públicas de ensino a enfrentar este e outros desafios da aprendizagem remota, a organização desenvolveu o Guia de Implementação de Estratégias de Aprendizagem Remota. O material é gratuito e traz informações detalhadas sobre todas as etapas do processo, incluindo a comunicação com as famílias.

Como fazer

Para estabelecer uma comunicação eficiente com os familiares e responsáveis, o Guia recomenda algumas ações. A primeira delas é criar um plano de comunicação, estabelecendo os canais que serão utilizados (vale desde o site da secretaria até as rádios comunitárias e os carros de som que circulam pelas cidades), o formato das mensagens (e-mails, cards informativos, transmissões ao vivo etc.) e sua frequência. “As escolhas vão depender das características da comunidade escolar e das estratégias de aprendizagem adotadas. Nem todas as secretarias estão trabalhando com plataformas e dispositivos que dependem de computadores ou sinal de internet, dada a enorme disparidade de acesso a esses itens entre as crianças e os jovens do Brasil.  Por isso, muitas estão utilizando materiais impressos e transmitindo conteúdos pelo rádio e pela TV”, pontua a especialista.

Além de adotar canais mais amplos de disseminação de informação, o Guia também destaca a importância de estabelecer um contato direto com os pais e responsáveis, inclusive para que eles possam tirar dúvidas. Nessa linha, vale criar um canal 0800, grupos no WhatsApp e até fazer transmissões ao vivo pelas redes sociais para dar explicações, para citar alguns exemplos. “As redes de ensino podem e devem combinar diferentes canais de comunicação para assegurar que todos receberão as informações. Os responsáveis precisam saber como os conteúdos chegarão aos alunos e qual será a frequência disso. Essa comunicação envolve, necessariamente, atualizar os dados de contato de todos os alunos”, acrescenta Raquel Costa, especialista em Educação do CIEB.

Por fim, o Guia sugere às redes de ensino que também compartilhem as atividades que estão sendo realizadas pelas escolas e pelos professores como forma de motivar a participação de todos os envolvidos. 

Além de explicar o passo a passo dessa etapa de comunicação com as famílias e responsáveis, o Guia traz um conjunto de ferramentas para apoiar os gestores públicos nessa frente, além de indicações de leitura.

Apoio completo

O Guia de Implementação de Estratégias de Aprendizagem integra uma série de conteúdos especiais produzidos pelo CIEB para atender aos desafios identificadas em uma ampla pesquisa realizada em mais de 3 mil secretarias de Educação do Brasil durante o mês de março. O levantamento foi liderado pelo CIEB e contou com a parceria do Consed, Undime e Fundação Lemann.

A partir dessa escuta, o CIEB também sistematizou sete Estratégias de Aprendizagem Remota (EAR), desenvolveu a ferramenta Seleção de Estratégias de Aprendizagem Remota para ajudar os gestores a identificar rapidamente quais se adaptam à sua realidade e, finalmente, criou o Guia.


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