Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Fruto de cinco anos de pesquisa antropológica, o professor indígena Ozias Yaguarê Yamã Apurinãguá coloca no mercado literário sua mais recente obra. O livro “Maraguá Péyára” foi lançado no Curral Zeca Xibelão, na última quinta-feira (29), com direito a noite de autógrafos. O livro, editado pela Livraria Valer, conta a história do povo Maraguá através de relatos de tuxauas e pajés de diferentes tribos que habitantes a região dos rios Madeira e Tapajós. O evento foi marcado por um momento tribal, organizado pelo Departamento Cênico do Caprichoso (DCC).

“Foram cinco anos de muito trabalho, juntamente com outras pessoas. Esses amigos foram de tribo em tribo coletar material. Considero está obra não só de minha autoria, mas sim de todo povoado maraguá, que é um povoado que enfrenta dificuldades para manter sua cultura”, avaliou Ozias Yamã.

O professor do curso de comunicação social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), profº Dr. Renan Albuquerque ressalta a importância do olhar indígena de dentro para fora da aldeia e como pode ser refletido dentro do ambiente acadêmico. “É muito bom produzir uma obra como essa, de cunho indígena, a partir de relatos dos próprios índios é um forma de fomentar esses conhecimentos e compartilhar com a sociedade”, afirmou o professor, que participou do lançamento com demais alunos da universidade.

Representando a Associação Folclórica Boi-Bumbá Caprichoso, o vice-presidente e presidente do Conselho de Artes, Rossy Amoedo manifestou votos de sucesso à nova obra do conselheiro, reforçando o compromisso do Boi Caprichoso em manter e valorizar cada vez mais a cultura indígena.

Índio, poeta e historiador

Ozias Glória de Oliveira ou Yaguarê Yamã Apurinãguá, 40 anos, é filho de índio Mawé do rio Andirá com uma índia Maraguá do rio Abacaxi, município de Nova Olinda do Norte. Ozias Yaguarê Yamã é remanescente do povo Maraguá constituído por aproximadamente 550 índios distribuídos em território de 750 mil hectares. A área indígena fica entre os municípios de Maués e Nova Olinda do Norte, na região do Rio Madeira.

Essa é a 21ª obra do autor, que se dedica exclusivamente a literatura indígena. O primeiro livro escrito por Ozias Yaguarê, Puratig, o Remo Sagrado, de temática Saterê-Mawé, foi publicado pela Editora Petrópolis, dentre 20 já publicados. Merece destaque, Sehaypóri, escolhido o livro do ano em 2008, ganhador de três prêmios internacionais. O segundo maior prêmio do mundo de temática infanto-juvenil, na Alemanha, escolheu a obra. Em 2013, o catálogo de Bolonha, na Itália, terceiro maior prêmio da literatura, selecionou três volumes de Yaguarê.

Alguns livros estão traduzidos para alemão e inglês. O próximo volume, Maraguápeyara, ainda vai ser lançado este ano pela Editora Valer. Posteriormente, a Editora Descaminhos de São Paulo deve publicar a obra intitulada Mitologia Maraguá. Dos 20 livros, o PNDE levou metade para as escolas de todo o país.

Atualmente, Ozias reside em Parintins, leciona em uma escola da rede pública estadual e é conselheiro de artes do Boi Caprichoso. O livro custará R$ 40 e toda arrecadação será revertida em prol a Associação Indígena do Povo Maraguá (AIPM).


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •