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Após meses de apelos por ações mais efetivas do poder público no combate ao coronavírus entre os indígenas, etnias que vivem na reserva Yanomami, em Roraima, receberam uma missão comandada pelo ministro da Defesa, general Fernando de Azevedo Silva, e ganharam, entre outros insumos, 66 mil comprimidos de cloroquina. As informações são de Metrópoles.

A droga não tem eficácia comprovada contra a Covid-19 e os indígenas desconfiam dela e criticam o uso propagandístico da visita sobre a qual nem foram avisados, já que jornalistas de agências internacionais também foram chamados pelo governo.

O Ministério Público Federal (MPF) em Roraima recebeu denúncias por causa da visita, que levou um contingente de pessoas que podem ter sido expostas ao vírus antes. Foi aberto um procedimento para investigar a visita sem consulta aos povos indígenas, sobretudo em um período em que as aldeias estão isoladas por razões sanitárias. A investigação inclui a distribuição da cloroquina, segundo nota divulgada pelo órgão.

“O objetivo é apurar a distribuição de cloroquina às comunidades indígenas, o ingresso nos territórios sem prévia consulta de seus povos – em desrespeito à decisão de isolamento de muitas de suas comunidades –, a violação das regras de distanciamento social, a presença expressiva de meios de comunicação em contato com os indígenas e a eficiência de operação com vultoso gasto de recursos públicos”, disse o MPF.

Segundo o governo, todos os integrantes da comitiva foram testados para ver se estavam infectados. Testes também foram aplicados em algumas dezenas de indígenas e deram negativo, o que levou o ministro Azevedo e Silva a dar entrevistas dizendo que a pandemia não havia chegado ao território. Para os indígenas, porém, há risco de contaminação, porque a comitiva esteve antes no Hospital de Campanha de Boa Vista, em contato com pessoas infectadas pela doença.

A operação ocorreu no fim da semana passada e, desde então, lideranças Yanomami e das outras oito etnias que vivem na reserva têm feito reclamações nos canais a que têm acesso.

Em um vídeo, dois indígenas reclamam do uso propagandístico da imagem de seus familiares pelo governo e pedem quem a comitiva não volte aos territórios. O registro foi feito por um perfil administrado pelos próprios indígenas da região nas redes sociais.

“Não quero que pessoas estrangeiras venham só para tirar foto dos meus filhos. Fiquei indignado, porque não comunicaram e não queremos ser propaganda do governo”, diz Paraná Yanomami, da comunidade Jacaré.


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