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O ser humano se diferencia dos outros animais essencialmente pela sua capacidade de fala, ou seja, de linguagem, de comunicação. Ao mesmo tempo, “falar a mesma linguagem” é um dos desafios mais grave da educação contemporânea.

Nenhuma organização de sucesso, a exemplo de um time de futebol, consegue excelentes resultados se não “falar a mesma linguagem”. Quando se trata de educação, que o resultado não é imediato, o problema é ainda maior.  

Em várias escolas do país, e também no Amazonas, existe uma guerra surda, às vezes sonora entre os condutores da educação, de um lado, os professores, e de outro, os técnicos e administradores. Por que será que essa guerra existe? Como explicá-la?

Em primeiro lugar, por que os professores, em sua maioria, são pessoas críticas. Ou seja, são profissionais que não se contentam com qualquer explicação. Dessa forma, é preciso muito diálogo para convencer um professor a defender aquilo que ele não acredita. Por outro lado, muitos gestores, administradores públicos, secretários, não possuem tal capacidade. Daí os conflitos, os problemas no ambiente escolar.

Não é fácil ser professor no Brasil nos tempos atuais e, em especial, no Amazonas.

São muitos os desafios. Do que reclamam os educadores-artistas, os professores? Eles reclamam das salas superlotadas, da falta de apoio técnico, da escassez de recursos didático-pedagógicos, do desinteresse dos alunos, dos baixos salários, entre outras reclamações.

E os técnicos-administradores, do que eles tanto reclamam? Além dos salários baixos e escolas mal equipadas, de que ou de quem reclamam? Reclamam, principalmente, dos educadores-artistas. Estes não têm compromisso com a educação, não cumprem horários, têm metodologias ultrapassadas, não gostam de planejar aulas ou outro tipo de atividade pedagógica e escolar.

E os alunos de que ou de quem tanto se queixam? De aulas mal feitas, improvisadas e enfadonhas. Por que não gostam de estudar? Porque a escola é enfadonha e ultrapassada. Por que mostram tanto desinteresse e indisciplina? Porque não são cobrados em casa, e assim acham que também na escola não devem ser cobrados.

Por acaso, alguém já atentou para esses fatos e suas causas? Os responsáveis pela educação, os administradores públicos, os secretários, já atentaram para as verdadeiras causas da evasão e repetência escolar? Do baixo rendimento em conteúdo programático e avaliativo? Do baixo rendimento em Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, Física e Química?

Existe a possibilidade de critérios objetivos para se imaginar o Brasil com melhores índices educacionais no futuro? Acreditamos que sim, investindo no professor, valorizando aquele que forma todas as profissões, pagando salários dignos e compatíveis com sua jornada de trabalho.

Por fim, e não menos importante, somente quando “falarmos a mesma linguagem” se construirá um futuro de glória para a educação brasileira. No entanto, jamais podemos esquecer aquilo que disse Paulo Freire:

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Por Luís Carlos Lemos da Silva

Professor universitário, filósofo e palestrante. Autor dos livros: “O primeiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas” e “Jesus e Ajuricaba na terra das amazonas – Histórias do universo amazônico”. E-mail: [email protected]


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