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Infelizmente conheço alguns professores que não gostam de ler. Isso não deveria acontecer, mas acontece. Principalmente professores da chamada área dura: matemática, física e química. Estes, quase nunca leem. Os professores das ciências humanas e sociais, por características específicas dessas disciplinas, estão quase sempre com um livro na mão, lendo.

  • Primeira dica: leia o que você gosta de ler!

Por outro lado, não conheço nenhum bom professor que não goste de ler. Alguns leem por hobby, outros leem por obrigação, por força do ofício, mais estão sempre lendo. A leitura é indispensável em qualquer profissão, mais ainda para o professor. Não existe bom professor que não goste de ler. Todo excelente professor ler, e ler muito.

  • Segunda dica: leia os clássicos!

A leitura é essencial para qualquer professor, assim como o ar é para o organismo vivo. A leitura faz toda diferença na vida de um professor. O professor que ama ler torna-se diferenciado em sua prática pedagógica porque o amor nos diferencia dos outros animais. O professor que ler não faz rodeio no que quer dizer. Diz à verdade sem ser rude. É claro em suas explicações. Atinge os seus objetivos.

A tendência natural de qualquer profissional com o passar dos anos, e com o professor também não é diferente, é ficar na zona de conforto. Por isso, um dos maiores desafios da educação atualmente é fazer com que o professor leia livros, artigos, revistas, periódicos científicos que não são de sua área de formação. Ou seja, é preciso estar constantemente aprendendo. E aprender é desafiar-se, sair de sua zona de conforto.

Por outro lado, um fenômeno característico dos tempos atuais é a exagerada aceleração do cotidiano. A sensação de que às 24 horas do dia não são suficientes para fazermos o que temos que fazer atinge a todos. Tudo passa muito rapidamente. Mal damos conta de um fato, acontecimento, relato ou situação e, pronto, já é passado. Paradoxalmente, estamos sempre atentos aos acontecimentos futuros, e quase nunca pensamos no que está acontecendo agora.

Por isso, defendemos que os fatos que nos atingem fortemente, notícias que nos abalam, acontecimentos que nos afetam, precisam ser refletidas à luz da razão, com mais tempo, com paciência. Assim, o professor que ler não se deixa levar pela situação do momento, seja o sucesso ou o fracasso, ele sempre pensa para ver se compreendeu. Dessa forma, a característica principal de um professor que ler é a reflexão.

Infelizmente vivemos em um país de não leitores, e em uma época em que o consumo e a alienação são predominantes, deixando pouco espaço à reflexão. Além disso, temos que considerar as dificuldades próprias dos professores de comprar livros, fazer assinaturas de revistas, jornais, periódicos eletrônicos, mesmo com todo o avanço da tecnologia e a democratização da internet. Além das precárias condições de trabalho, baixo salário, muitos professores tendo que trabalhar em duas ou três escolas para complementar o orçamento familiar, quando sobra tempo para ele ler um livro? Você professor que ler este artigo agora, quando foi que você leu um livro?

Com toda a evolução da tecnologia, há coisas boas e ruins sobre as facilidades trazidas pela internet. E é sobre leitura, ou seja, sobre os livros o norte principal dessa revolução. Há muitos bons livros gratuitos disponíveis na internet. Você só precisa se organizar. Tenha acesso a esses livros e comece a ler.

  • Terceira dica: leia livro que não são de sua área de formação. Por exemplo: se você é formando em matemática, leia livros de história, sociologia, etc.

Quem me conhece sabe da minha preferência pelo livro impresso. Não que eu não goste do livro online. Eu apenas ainda não me acostumei com eles. Gosto de ler virando a página do livro, sentido o cheiro da tinta, a textura do papel… Dessa forma, quem não pode comprar o livro físico, pode ler o livro online. Atualmente existem muitas possibilidades. Só não ler quem não quer, ou quem não se organiza.

Tenho colegas que dizem que o livro é caro. Sim, concordo em parte com eles. Comprar um livro não é custo, é benefício. Caro é xerocopiar. Além de ser crime, é um desperdício de papel. Como o nosso clima não ajuda, a xérox não duras mais do que seis meses. E aí você tem que descartar. Jogar fora. O livro, por pior que seja à qualidade do papel, dura mais de 10 anos. Dessa forma, é sempre vantagem comprar um livro.

  • Quarta dica: compre livro. Diga não à xérox!

Atualmente eu trabalho com aquilo que a humanidade recolheu e refletiu sobre o que chamamos de pensamento filosófico. Sim, sou professor de filosofia. Dessa forma, seria impossível explicar o pensamento de Platão, Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino, Maquiavel, Descartes, Kant ou Foucault sem ler os livros desses homens. Assim, o meu encanto pela filosofia surgiu com os livros. Tenho um amor muito grande pelos livros.

Ler não é apenas a habilidade de interpretar os sinais gráficos convencionados da língua falada. Ler é compreender as mensagens sejam elas claras ou subliminares a fim de tornar o mundo mais atraente, justo e belo para se viver. Essa definição eu aprendi lendo, lendo muito. Por isso é impossível separar os livros do meu trabalho, da minha vida. A escrita é o local onde me “exponho”. O que eu amo mesmo é ler.

Por fim, e não mesmo importante, eu aprendi a gosta de ler lendo sobre “os filósofos”. Atualmente não leio tanto sobre filosofia. Leio mais sobre ciência. Penso que o mundo será cada vez mais científico. Dessa forma, à solução para os problemas do homem contemporâneo encontra-se na ciência. Somente a ciência pode nos livrar do aquecimento global, das doenças incuráveis, das bactérias…

Por Luís Carlos Lemos da Silva

Professor universitário, filósofo e palestrante. Autor dos livros: “O primeiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas” e “Jesus e Ajuricaba na terra das amazonas – Histórias do universo amazônico”. E-mail: [email protected]


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