Foguete Longa Marcha-5 levando sonda para Marte é lançado de Hainan, na China - Cai Yang/Xinhua
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Se o espaço é a fronteira final, como anunciava a abertura da clássica série de TV “Jornada nas Estrelas”, parece que a Guerra Fria 2.0 entre EUA e China chegou por lá. Um misterioso experimento espacial feito pela China no fim de semana passado, um mês depois de os EUA definirem sua doutrina militar espacial, alimentou especulações acerca das intenções e capacidades de Pequim no campo.

O lançamento, confirmado pela agência de notícias Xinhua, ocorreu na sexta (4). A espaçonave secreta pousou dois dias depois.

Para especialistas militares chineses ouvidos por órgãos como o jornal South China Morning Post, foi o primeiro teste de um avião orbital sem piloto do país. A referência óbvia é o Boeing X-37B, que lembra uma versão pequena os antigos ônibus espaciais americanos.

Também de controle remoto, ele é um projeto que começou na civil Nasa e foi transferido para os militares. Desde 2010, voou seis missões sigilosas. Segundo o Pentágono, só para testar sistemas de reentrada. Mas analistas suspeitam que outras capacidades estejam sendo examinadas, como as de espionar outras espaçonaves ou até atacar satélites.

Da mesma forma, a única informação sobre o teste chinês foi de que ele visava apenas fins pacíficos, uma resposta padrão.

Pequim tem demonstrado audácia no campo espacial –mais uma reminiscência do tempo da Guerra Fria entre soviéticos e americanos, ora repaginada.

No ano passado, colocou um jipinho no lado oculto da Lua, e em julho lançou sua primeira missão para orbitar Marte. No campo estritamente militar, desenvolvem um programa de mísseis destruidores de satélites inimigos.

Mas o tom público é pacífico, como é a praxe no campo, ou era: os Estados Unidos estão estruturando sua Força Espacial, o sexto ramo militar do país. Criada em 20 de dezembro de 2019, ela é a emancipação do antigo Comando Espacial da Força Aérea, de 1982.

Herdou um orçamento de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 5,4 bilhões) para este ano, e deverá ter US$ 15,4 bilhões (R$ 83,1 bilhões) em 2021.

Se parece pouco no oceano de US$ 740 bilhões (R$ 4 trilhões) pedidos por Trump ao Congresso, o valor é cinco vezes superior à fatia do orçamento militar brasileiro para investimentos em 2019.

O primeiro lançamento de um satélite seu ocorreu em março, e em agosto a força lançou um documento com 64 páginas delineando sua doutrina.

Ali, as meias palavras somem. A Força Espacial tem três responsabilidades: promover liberdade de ação no espaço, opções independentes de defesa para os EUA e “habilitar letalidade e eficácia” naquele ambiente.

As juras de amor ao uso pacífico constantes do Tratado do Espaço Sideral, de 1967, ganham conotação de missão militar. O tratado limitava a militarização do espaço, mas nunca a proibiu —basta ver a miríade de satélites espiões sobre nossas cabeças.

Ele proibia colocar em órbita armas de destruição em massa, e vetava qualquer atividade bélica na Lua ou outros corpos celestes. A Força Espacial, por sua vez, fala do imperativo de projetar poder militar para dissuadir e também para lutar.

“A força militar no espaço é inextricavelmente ligada à guerra”, resume o texto, de resto bastante genérico.

A doutrina não entra em detalhes do combate, que inclui desde guerra eletromagnética até a destruição de satélites em órbita com mísseis ou outras espaçonaves. Muito foi pensado nos anos 1980, sob o chapéu do programa americano apelidado de Guerra nas Estrelas, criado para apavorar os soviéticos. Com informações de Folha de S. Paulo.


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