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Um homem de 72 anos e uma cadeirante, 23, foram estuprados no asilo Casa Acolhendo Vidas, em Belo Horizonte (MG). Além deles, outras 76 pessoas foram vítimas de agressão e tortura. Dessas, 18 morreram por conta dos maus-tratos, de acordo com a Polícia Civil. Os suspeitos de participação nos crimes são proprietários e funcionários da casa de repouso.

“Sabemos que muitas vítimas ainda não foram identificadas por ausência de documentação do asilo. A maioria das provas coletadas foi através de prontuários cedidos pelos hospitais, relações cedidas pelo cemitério de Santa Luzia e relatos de familiares”, disse a delegada Bianca Prado. O resultado da operação foi apresentado nessa quarta-feira (02/10/2019).

Das seis pessoas indiciadas no inquérito, quatro eram da mesma família: Elizabeth Lopes Ferreira, de 47 anos, o marido, Paulo Lopes Ferreira, 53, e as duas filhas, Poliana, 27, e Patrícia Lopes Ferreira, 21. As mortes foram causadas, ou aceleradas, por “falta de cuidado” dos responsáveis pelo asilo.

“As medicações não eram ministradas, a higiene era precária e as feridas não eram tratadas. Depois de realizadas perícias médicas, verificou-se que muitos internos estavam desnutridos e desidratados. Havia uma privação de alimento e água para eles, que chegava a três dias. O que vimos ali nunca se viu na história da Santa Luzia”, comentou a delegada.

Idosos recebiam bengaladas nas feridas, contou a Polícia Civil

As investigações foram iniciadas há dois meses. Um médico do Hospital Madalena Calixto, também de Belo Horizonte, foi quem denunciou os maus-tratos. Ele apontou que os internos do asilo eram vítimas de agressões e violência psicológica. Dias antes, inclusive, uma delas teria morrido ao dar entrada no hospital com quadro de desidratação.

A jovem de 23 anos foi uma das vítimas mais atingidas do asilo, segundo Bianca Prado. A delegada afirmou que é possível confirmar por relato de testemunhas que Paulo e Elizabeth foram vistos beijando a boca da jovem a força mais de uma vez. Uma interna do local contou que a jovem dormia vestida e acordava sem roupas. Em algumas noites, gritava devido aos abusos.

O homem de 72 anos foi estuprado quando tinha 70. O abuso foi atribuído à Elizabeth, que o obrigava a fazer sexo oral e outros atos libidinosos. A delegada constatou ainda que havia internos de castigo, privados de alimentação. Outros com estado de saúde debilitado, além de um ambiente insalubre, com uma fossa transbordando.

A polícia acionou a prefeitura para encaminhar as vítimas ao médico e tomar demais providências cabíveis. Imediatamente, sete foram levados para o hospital com quadros de suspeita de fratura, pneumonia, glicemia e pressão alteradas, ferida profunda e até mesmo uma idosa com afundamento craniano, resultado de uma agressão recente. (Com Metrópoles)


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