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Manaus passa por mudanças na educação, uma delas é a adesão de escolas à educação integral, que trabalha uma metodologia democrática e participativa dos alunos, dos familiares e da equipe escolar, onde todas as atividades, regras e planejamentos são decididos por meio de assembleia. O aluno é protagonista do seu fazer, o que torna a escola um espaço mais prazeroso e agradável.

“Ao longo de sete anos de gestão, promovemos mudanças profundas na educação básica de Manaus, que saiu do 23º lugar no Ideb, para figurar entre as dez cidades com melhor desempenho. Mais que melhorias na infraestrutura das escolas, investimos em ações pedagógicas, inovamos na maneira de fazer educação, e isso tem refletido diretamente na vida dos nossos alunos, com melhores notas e tornando-os mais preparados para os desafios”, destaca o prefeito Arthur Virgílio Neto.

Atualmente, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) possui 13 escolas de educação integral, das quais seis em processo de implantação. O modelo educacional participativo chamou atenção do grupo internacional Instituto Ashoka Empreendedores Sociais e Alana, que concedeu o título de “Escolas Transformadoras” a duas unidades da capital. A escola municipal Waldir Garcia e o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Hermann Gmeiner são as únicas da região Norte do Brasil a receber o título, com destaque ao único centro de educação infantil com essa chancela.

“A educação integral e transformadora faz o diálogo com outros saberes, que vai além do que está no currículo pedagógico tradicional. Quando a gente olha para a educação de países desenvolvidos, percebemos que é diferente do que é trabalhado no Brasil. A concepção de educação que desenvolvemos é essa, voltada para as necessidades dos alunos, famílias e professores em uma sociedade globalizada”, explica a secretária municipal de Educação, Kátia Schweickardt.

Mudança de comportamento

Lucia Cortez, que está há 14 anos na direção da Waldir Garcia, disse que a mudança para educação transformadora aconteceu na vida profissional e pessoal, já que ela era uma pessoa muito fechada para o diálogo e tudo era decidido por ela e apenas comunicado ao corpo docente.

“Sou casada com um militar e o meu estilo sempre foi autoritário, eu decidia tudo e só comunicava. A partir do momento que eu conheci a metodologia da Educação Integral e Transformadora, passei a vivenciar o trabalho em equipe, com diálogo, protagonismo e empatia, mudei a minha postura profissional e pessoal, isso modificou a cara e o índice da Waldir Garcia”, disse a gestora.

Antes da mudança, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) da Waldir Garcia era de 3,5 e um número elevado de alunos reprovados e de abandono escolar. Após a mudança e com 206 alunos do 1º ao 5º anos do ensino fundamental, a unidade está com o Ideb de 7,4 e zerou o índice de abandono e reprovação. A escola também é destaque pelo excelente trabalho que faz na inclusão de alunos estrangeiros.

Subsecretária de Gestão Educacional da Semed, Euzenir Trajano

“Manaus abraçou essa nova perspectiva educacional em 2015 e podemos dizer que esse foi um grande ganho nesse período. Passamos a focar no sujeito e a desenvolver um currículo diferenciado e isso fez com que Manaus recebesse destaque nacional e internacional”, avaliou a subsecretária de Gestão Educacional da Semed, Euzenir Trajano.

Metodologia

Nas escolas de educação integral todas as ações acontecem com a participação dos alunos e tudo é uma ferramenta de aprendizagem, como a hora do lanche na escola municipal Maria das Graças Andrade Vasconcelos, que fica na Aldeia SOS, no Alvorada 1, onde também funciona o Cmei Hermann Gmeiner.

Nessa unidade, todo resto de comida dos pratos dos alunos é descartado em um balde, que logo após é pesado para que eles tenham uma ideia da quantidade de alimento estragado e, assim, tenham consciência na hora de servir o lanche. As cascas das frutas também são separadas e utilizadas para fazer compostagem orgânica, utilizado na horta.

A transformação acontece também nas famílias, que têm total liberdade para opinar e dar sugestões na educação dos filhos. A dona de casa Drieny Lima, mãe do Lian, 5, e Levy, 8, alunos do Cmei e da escola, respectivamente, participou como palestrante no 2º Seminário das Escolas de Educação Integral, que aconteceu no início de novembro e reuniu pais, educadores, pesquisadores, representantes das Escolas Transformadoras no Brasil, entre outros. Ela contou um pouco da experiência que vive atualmente na educação dos filhos.

“É gratificante saber que outras pessoas também acreditam na educação integral. Essa é uma mudança que acontece não apenas com a criança, mas com toda a família. A partir do momento que todos entendem a união entre escola e família, que ambas precisam caminhar juntas, o trabalho fica mais leve para todos. Eu confio inteiramente nas duas unidades de ensino e hoje me sinto uma mãe de verdade, que acompanha e vê a mudança na educação dos filhos. E a minha experiência compartilhei com outras pessoas que estavam no seminário”, explicou a mãe.

Davi Massanori Takeda Barroso, 8, do 3º ano, falou com orgulho sobre tudo que aprende na escola e das atividades que mais gosta de fazer. “Eu gosto muito das oficinas de hortas, padaria e da Oca Digital.  A gente aprende sobre muitas coisas e plantamos também, acho que quando crescer quero ser dono de padaria”, disse.


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