Torcedores cruzeirenses conhecerão nesta semana o novo presidente do clube mineiro, envolvido em um escândalo financeiro
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O escritor Nelson Rodrigues costumava dizer que não se faz futebol com bons sentimentos. Essa constatação retrata com exatidão o momento vivido por um dos maiores times do Brasil. Na próxima quinta-feira, dia 21 de maio, o Cruzeiro realizará a eleição do seu novo presidente e da mesa diretora do seu conselho deliberativo. Após enfrentar um escândalo financeiro e ser rebaixado para a série B do campeonato brasileiro, o clube mineiro é alvo de disputas internas entre cartolas, que travam uma guerra envolvendo dossiês, e-mails anônimos, inquéritos policiais e uma empresa de investigação.

Na quinta-feira 15, um e-mail anônimo foi disparado para conselheiros do clube, com trechos de um inquérito sigiloso da Polícia Federal. A investigação, instaurada em 2015, apurou suspeitas de tráfico de influência e negociatas entre advogados e desembargadores. Nos documentos constam o nome de Sergio Augusto Santos Rodrigues, candidato a presidente do Cruzeiro e filho do ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Joaquim Herculano Rodrigues. De acordo com a PF, Sergio Rodrigues apresentou um “crescimento considerável no quantitativo de processos” logo após ter se tornado advogado. Entre os seus clientes, está o ex-senador Zezé Perrella, que dá as cartas na Raposa.

“Eu não fui acusado, não fui indiciado por crime algum nem sequer instado a prestar esclarecimento junto a qualquer autoridade policial”, afirma Rodrigues. “Muito triste que a eleição do Cruzeiro vá para este caminho. Em tempos que precisa de paz, as pessoas querem a guerra”, afirmou o advogado, que pedirá uma investigação da Polícia Civil para apurar a origem do e-mail anônimo.

Essa batalha deverá ficará ainda mais intensa nos próximos dias, quando for divulgado o resultado de uma investigação interna de gestões passadas. O Cruzeiro contratou a Kroll para fazer um levantamento de eventuais fraudes e desvios de recursos. A empresa já atuou na CPI da Petrobras, bisbilhotando delatores da Operação Lava-Jato, e se envolveu em um escândalo de espionagem no setor de telecomunicações durante o governo Lula. O trabalho de apuração irá esclarecer se houve falcatruas entre cartolas.

Desde o ano passado, dirigentes do Cruzeiro são investigados pela Polícia Civil por indícios de pagamentos suspeitos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, conforme revelou reportagem do Fantástico, da TV Globo. O inquérito está em sua fase final e gera a apreensão de alguns conselheiros do clube. A expectativa era que o trabalho fosse concluído antes da eleição do novo presidente da Raposa. Até lá, o jogo fora dos gramados continuará pesado entre os cartolas do time mineiro. (veja.com)


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