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Veja – Os Estados Unidos comemoraram na quinta-feira o feriado nacional de 4 de julho com uma festa diferente: além do tradicional show de fogos de artifício, o Dia da Independência teve uma inédita parada militar e um discurso do presidente Donald Trump, que adicionou à celebração o componente político. Entre promessas, o presidente afirmou que o país logo fincará sua bandeira em Marte.

“Nossa nação é hoje mais forte do que nunca”, exclamou Trump para milhares de pessoas reunidas em torno do Monumento a Lincoln, no coração de Washington.

“Ao nos reunirmos esta noite na alegria da liberdade, recordamos que todos compartilhamos uma herança verdadeiramente extraordinária. Juntos somos parte de uma das melhores histórias já contadas: a história dos Estados Unidos”, disse Trump, acompanhado de sua mulher, Melania.

“Para os americanos nada é impossível”, afirmou o presidente em uma cerimônia marcada pelo ufanismo, que começou com a aparição do imponente Boeing 747 presidencial (Air Force One) e terminou com o sobrevoo de diversos aviões de combate, incluindo o raro bombardeiro B2.

“Voltaremos à Lua em breve e um dia colocaremos a bandeira americana em Marte”, prometeu Trump, que concorrerá à reeleição em 2020.

Na presença do vice-presidente, Mike Pence, de membros do gabinete, de legisladores e de representantes das Forças Armadas, Trump homenageou os militares, policiais, socorristas e voluntários que atuaram no 11 de Setembro, assim como muitos civis, incluindo ativistas do movimento sufragista e figuras negras proeminentes, como Martin Luther King.

Mas também fez referências polêmicas, elogiando os agentes da patrulha de fronteira – muito questionados por seu tratamento aos imigrantes ilegais – e citou Betsy Ross, que desenhou a antiga versão da bandeira americana, denunciada recentemente como uma recordação da era da escravidão.

“Celebramos nossa história, nosso povo e os heróis que orgulhosamente defendem nossa bandeira: os valentes homens e mulheres do Exército dos Estados Unidos”.

Trump fez ainda um tributo à história do país e ao “espírito” de seus fundadores: “Enquanto nos mantivermos fiéis a nossa causa, enquanto recordarmos nossa grande história, e enquanto não deixarmos de lutar por um futuro melhor, não haverá nada que os Estados Unidos não poderão fazer”.

Mas as novidades da programação do Dia da Independência imediatamente fizeram a oposição reagir e vários democratas do Congresso alertaram o presidente contra a tentação de um realizar “um comício de campanha” em rede nacional por ocasião da data nacional.

Porque o dia 4 de julho é geralmente um dia de trégua em os os americanos “agitam a bandeira nacional sem entrar em discussões políticas”, observa o especialista em mídia Richard Hanley.

Em todo o país, a atmosfera é geralmente boa, com desfiles, fanfarras, churrascos e shows de fogos de artifício.

Como sempre, a comemoração do 243o. aniversário da independência dos Estados Unidos da Coroa Britânica incluiu o desfile na Avenida Constituição, bem como o concerto “A Capitol Fourth” nos Jardins do Capitólio à noite, com Carole King entre vários artistas, como os Muppets da “Vila Sésamo”.

Além do sobrevoo de caças F-35 e das manobras do esquadrão Blue Angels da Marinha, tanques e veículos de combate foram exibidos estacionados nas proximidades, sem circular porque suas rodas poderiam danificar as ruas da cidade.

Ego

“O ego (de Trump) é tão grande que vai realizar este comício de campanha em 4 de julho, em um chamado desesperado, e todos sabem disso”, tuitou o líder da bancada democrata no Senado, Chuck Schumer.

A CNN informou que os líderes militares, que por lei não podem participar de eventos políticos, estão preocupados com a politização da data.

Os opositores de Trump planejaram sua própria artilharia política no National Mall, a ampla esplanada de grama que vai do Monumento a Lincoln até o Congresso.

A organização progressista Code Pink instalou seu “Baby Trump”, um enorme boneco inflável que mostra o presidente de fralda.

A inspiração de Trump para uma comemoração com tanta pompa e circunstância parece vir do desfile militar do Dia da Bastilha, do qual participou em 2017, convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Impressionado com a marcha de soldados e com a exibição de equipamento militar no centro de Paris, Trump brincou, na época, ao voltar para casa: “a gente tem que tentar superar isso”.


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