Ghislaine Maxwell durante evento em Nova York, em 2013 - Laura Cavanaugh/AFP
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Ghislaine Maxwell, ex-namorada do acusado de abuso de menores Jeffrey Epstein, 66, foi presa nesta quinta-feira (2) pelo FBI, a polícia federal dos EUA, em New Hampshire.

Ghislaine mantinha perfil discreto desde a morte de Epstein, cujo corpo foi encontrado em uma prisão de Nova York em agosto. A suspeita é de que ele tenha se suicidado no centro de detenção.

Filha do magnata da imprensa britânica Robert Maxwell, Ghislaine foi acusada de supervisionar as atividades para aliciar meninas e jovens mulheres para Epstein, acusação que ela nega categoricamente.

Segundo a agência de notícias Reuters, Ghislaine deveria comparecer ao tribunal federal nesta quinta.

Epstein era acusado de tráfico sexual de menores e de conspiração criminosa para traficar garotas para exploração sexual, duas acusações passíveis de punição com um total de 45 anos de prisão.

Segundo a ata de acusação, ele teria levado menores de idade, algumas delas com apenas 14 anos, para suas residências em Manhattan e em Palm Beach, na Flórida, entre 2002 e 2005, “para participar de atos sexuais com ele, depois dos quais lhes dava centenas de dólares em dinheiro”.

“Também pagava algumas de suas vítimas para recrutarem mais meninas para serem abusadas”, apontou a acusação.

As acusadoras de Epstein argumentam em documentos judiciais que Ghislaine gerenciava a rede de recrutadores e ajudou a elaborar o manual de como atrair jovens mulheres para a rede de Epstein.

Os recrutadores teriam sido orientados a visar mulheres jovens desesperadas financeiramente e a prometer-lhes ajuda para melhorar sua educação e carreira, de acordo com essas acusações cíveis.

Procuradores federais afirmam que Ghislaine “atraia e fazia vítimas menores de idade viajarem a casas de Epstein em diferentes estados” e que ela auxiliava na “preparação para [as vítimas] se sujeitarem ao abuso sexual”.

Uma das vítimas, Virginia Roberts Giuffre, disse em depoimento que tinha 16 anos quando conheceu Ghislaine. Ela disse que se lembrava do argumento da recrutadora: se fizesse massagem em um homem rico, um mundo inteiro de oportunidades se abriria.

Epstein negava as acusações, mas um juiz federal rejeitou o pedido de liberdade condicional feito por sua defesa à época. Os advogados do bilionário chegaram a propor que ele ficasse isolado em sua casa em Manhattan com uma tornozeleira eletrônica, além de câmeras de vídeo para registrar seus movimentos.

A Justiça avaliou, porém, que Epstein representava um risco para a sociedade e que ele poderia tentar fugir, já que tinha os meios para isso.

Durante busca realizada na casa do empresário em Nova York, autoridades encontraram em um cofre “dezenas de diamantes” e “maços de notas”, bem como um passaporte austríaco falso já vencido em nome de Epstein.

Se ele fosse condenado pelos crimes dos quais é acusado, poderia ter sido sentenciado a até 45 anos de prisão, o que, com sua idade, configuraria uma pena de prisão perpétua.

O caso de Epstein também teve desdobramentos políticos que afetaram o governo de Donald Trump. Em julho, o secretário de Trabalho dos EUA, Alex Acosta, renunciou devido a ligação com o episódio.

Ele, que foi nomeado em 2017 pelo presidente americano, foi questionado por sua participação, há mais de uma década, quando era promotor em Miami, em um acordo que resultou em penas brandas para o bilionário.

Na mesma semana em que renunciou, Acosta disse que o acordo, no qual Epstein cumpriu 13 meses de prisão após ser acusado de abusar sexualmente de dezenas de mulheres e meninas, foi o acerto mais duro possível, pois, de acordo com ele, o caso era complexo.

Críticos do acordo argumentam que o bilionário deveria ter enfrentado uma acusação mais severa no tribunal estadual do que uma única infração de solicitar prostituição de uma menor.

O relacionamento entre Epstein e Trump é menos claro. Um advogado do presidente americano negou que ele e Epstein tivessem um relacionamento social, a despeito das declarações de Trump à revista New York em 2002.

À publicação o republicano disse que Epstein era “um cara excelente”, a quem ele conhecia há 15 anos. “Ele é uma companhia muito divertida”, disse à época. “Chegam a dizer que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, muitas delas na ala mais jovem.”

O círculo de amigos e conhecidos do bilionário inclui outras figuras de destaque, entre as quais o ex-presidente Bill Clinton, o príncipe Andrew, do Reino Unido, e Leslie Wexner, dono da Victoria’s Secret e outras marcas de varejo. Clinton voou no jatinho de Epstein dezenas de vezes, de acordo com registros de voo, e Andrew foi a festas com ele.

Epstein trabalhou no banco de investimento Bear Stearns por seis anos antes de abrir sua empresa, em 1982, para administrar o patrimônio de clientes muito ricos. No entanto, há dúvidas de que Epstein tenha sido de fato bilionário, uma vez que existem poucas provas disso.

A riqueza dele talvez dependesse menos de sua perícia matemática do que de suas conexões com dois homens —Steven Hoffenberg, ex-proprietário do jornal New York Post e notório fraudador, condenado por operar um esquema de pirâmide de US$ 460 milhões, e Wexner, executivo da empresa que é dona das lojas Victoria’s Secret.

Epstein parecia estar realizando negócios e operando moedas por intermédio do Deutsche Bank até alguns meses atrás, de acordo com duas pessoas informadas sobre suas atividades de negócios.

Com a possibilidade iminente de acusações federais, o banco encerrou o relacionamento com o empresário. Não se sabe ao certo quais eram os valores de suas contas quando foram fechadas.

A Netflix lançou em maio um seriado documental de quatro episódios chamado “Jeffrey Epstein: Poder e Perversão”, com depoimentos de inúmeras mulheres que foram molestadas pelo milionário quando eram menores de idade, o esquema de tráfico montado por ele e as dúvidas sobre seu suicídio. As informações são de Folha de S. Paulo.


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