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Dores musculares fortes em diferentes regiões do corpo, de forma crônica, podem ser um indício de uma doença que atinge de forma predominante mulheres entre os 25 e 50 anos – que chegam a representar 90% dos pacientes em tratamento para a fibromialgia. A enfermidade é uma das doenças mais frequentes e acomete 2 -8% da população brasileira, e pode ocorrer em qualquer idade. Para propagar sobre os efeitos da doença, em 12 de maio é celebrado o Dia de Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia.

De acordo com a reumatologista do Hapvida Saúde, Patrícia Cunha Noel, a fibromialgia é uma doença crônica. “A fibromialgia é caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, com hipersensibilidade exagerada em várias zonas do corpo e os pontos predefinidos (pontos sensíveis) sem alterações orgânicas demonstráveis. Não se sabe sua a causa, mas acredita-se que pela diminuição da concentração de um hormônio do sistema nervoso, a serotonina, o cérebro dos pacientes com esta doença percam a capacidade de regular a dor”, explica a médica.

Fibromialgia e coronavírus

Raramente pode-se imaginar uma relação entre uma condição neuropática é um vírus. No entanto, um vírus não distingue cor, status social ou tipo de doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), pacientes com diagnóstico de doenças reumáticas consideradas autoimunes, ou inflamatórias crônicas, bem como aqueles em uso de medicamentos imunossupressores ou imunobiológicos, podem apresentar, potencialmente, predisposição para formas mais graves da Covid-19.

Por isso, em tempo de pandemia, a reumatologista alerta que os diagnosticados com fibromialgia devem ficar atentos com alguns fatores:

1 – O desenvolvimento da infecção viral tem relação estreita com o estado do sistema imunológico do hospedeiro. Quanto mais fraco estiver, mais fácil a vida do vírus. E o sistema imunológico é caracteristicamente mais fraco que o normal em quem tem uma doença crônica.

Por isso, o grau de risco depende de quais medicamentos o paciente toma – algum suprime seu sistema imunológico? – além de outras condições médicas que ele pode ter – por exemplo, diabetes, doenças cardíacas, histórico de câncer.

2 – Isso leva a questão da comorbidade, a coexistência com outras doenças inflamatórias crônicas. Há tempo é sabido que pacientes com fibromialgia apresentam altas taxas ao longo da vida de enxaqueca, síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica, depressão maior e transtorno de pânico.

3 – A resposta física exagerada do organismo a um estímulo persistente, como no caso do estresse crônico e/ou distúrbios mentais como a ansiedade e a depressão, que enfraquecem o sistema imunológico ao ponto de facilitar uma infecção viral.

Diagnóstico e tratamento

De acordo com a especialista, os principais critérios para diagnosticar a fibromialgia são: dor ou sensibilidade pré-estabelecidas (critério ACR 2011), distúrbios de memória como esquecimento, sono não reparador, fadiga, dor de cabeça, cólica abdominal e depressão.

Deve-se salientar que, muitas vezes, mesmo que os pacientes não apresentem todos os pontos, o diagnóstico da doença é feito e o tratamento iniciado. “Ainda não existem exames laboratoriais complementares que possam orientar o diagnóstico. Quando são feitos, o intuito é descartar outras condições que podem provocar sintomas semelhantes”, ressalta Patrícia.

O tratamento exige cuidados multidisciplinares (reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo, psiquiatra e nutricionista). No entanto, têm-se mostrado eficaz para o controle da doença: uso de analgésicos e anti-inflamatórios associados a antidepressivos tricíclicos, receitados pelo reumatologista; atividade física regular contra as dores da fibromialgia; acompanhamento psicológico e emocional; massagens e acupuntura.

Qualidade de vida

Segundo a reumatologista do Hapvida, mudanças de hábitos, escolhas saudáveis e pequenos ajustes na rotina são ações que podem gerar bons resultados no tratamento da fibromialgia, gerando mais qualidade de vida aos pacientes. Para isso, ela cita algumas dicas que podem trazer benefícios:

– Fazer atividade física regular;

– Escolher alimentos saudáveis, uma dieta rica em verduras, legumes e frutas;

– Evitar carregar pesos;

– Eliminar perturbadores do sono como luz, barulho, eletrônicos e uso de estimulantes antes de dormir;

– Evitar situações que aumentem o nível de estresse;

– Considerar a possibilidade de buscar ajuda psicológica.


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