Foto: Rafaela Felicciano
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O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e sua mulher, Fernanda, omitiram das declarações de Imposto de Renda R$ 350 mil gastos na compra de uma loja da rede de chocolates Kopenhagen, segundo investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro. As informações são do jornal O Globo.

Para detectar o fato, os promotores cruzaram dados bancários e fiscais do filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e da companheira dele. O Tribunal de Justiça do Rio autorizou a quebra de sigilo financeiro do casal em abril de 2019.

Em depoimento, o empresário Cristiano Corrêa Souza e Silva, que vendeu a franquia da loja de chocolates ao senador, afirmou que a unidade, em um shopping na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, fraudava notas fiscais e vendia itens por preços inferiores aos registrados oficialmente.

Para a promotoria, a unidade da Kopenhagen teria “lavado” R$ 1,6 milhão. Parte dessa quantia teria sido depositada na conta bancária da empresa, entre 2015 e 2018, após supostamente ser recolhida por Fabrício Queiroz, que atuava como assessor de Flávio Bolsonaro (foto em destaque).

O policial militar aposentado foi preso no inquérito do esquema de rachadinha, recolhimento de parte do salário dos servidores do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar.

O MP também suspeita que Alexandre Santini, que comprou a loja com o amigo Flávio Bolsonaro, seja um laranja. Segundo as investigações, o dinheiro saía da loja para o senador como uma fictícia divisão de lucros, que burlava a participação do sócio.

De acordo com O Globo, Flávio e Santini adquiriram a loja em contrato assinado em 11 de dezembro de 2014 por R$ 800 mil. Cada um ficou responsável por pagar uma metade (R$ 400 mil). Na declaração de Flávio à Receita Federal, os promotores identificaram um pagamento de R$ 50 mil para a empresa do antigo dono, que coincide com cheque emitido pelo filho de Bolsonaro como sinal.

A mulher do senador, Fernanda, fez uma transferência eletrônica de R$ 350 mil para o antigo dono em 2 de fevereiro de 2015 e quitou o que seria a parte de Flávio. No entanto, esse pagamento não foi declarado no Imposto de Renda. Para o MP, essa omissão teve o propósito de esconder uma transação não compatível com o histórico financeiro.

O outro lado
Os advogados de Flávio Bolsonaro afirmaram ao jornal que não podem comentar o mérito das declarações. Em nota, falaram que Flávio “esclarece que a alucinação de alguns promotores do Rio em persegui-lo é tão vergonhosa que até perderam prazo para apresentar recursos ao STF e ao STJ de decisão que retirou a investigação da competência deles. Com isso, buscam atacar sua imagem pública, uma vez que, processualmente, não há nada mais que eles possam fazer”.

Eles afirmaram também aguardar que o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, “não prevarique e instaure, imediatamente, procedimento para apurar conduta criminosa desses promotores de injustiça por violação de sigilo profissional, uma vez que o processo deveria correr em segredo de Justiça, mas é insistentemente, trazido a público, inviabilizando a defesa do senador dentro do devido processo legal e do contraditório”.


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