(Foto Sérgio Lima/Folhapress)
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou um requerimento ao ministro Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (27/09/2019), solicitando a retirada do porte de arma do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Moraes é o relator do inquérito que apura ameaças feitas a integrantes da Corte, conhecido como “inquérito das fake news“.

O magistrado também solicitou à Corte medidas cautelares que garantam a sua segurança. A íntegra do documento, contudo, corre em segredo de Justiça.

O pedido de Gilmar Mendes foi feito após o ex-PGR afirmar, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, que teve a intenção de matar o ministro e até foi armado ao Supremo para consumar o fato. A ideia de Janot era assassinar a tiros o magistrado e cometer suicídio.

“Cheguei no meu limite e fui armado”, relatou o ex-PGR. “A minha ideia era de que ia dar um tiro na cara dele e depois ia me suicidar, na antessala do Supremo”, detalhou. Janot explicou que os dedos das mãos direita e esquerda tinham travado quando ele tentou puxar o gatilho e atirar em Gilmar.

Tratamento Psiquiátrica

Gilmar Mendes respondeu o ex-procurador geral da República Rodrigo Janot, que revelou quase ter matado o ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017, no auge das investigações da Lava Jato. Surpreso, Mendes lamentou o episódio e recomendou Janot a procurar ajuda psiquiátrica.

“O combate à corrupção no Brasil — justo, necessário e urgente — tornou-se refém de fanáticos que nunca esconderam que também tinham um projeto de poder”, argumentou Gilmar Mendes, que acrescentou: “Dadas as palavras de um ex-procurador-geral da República, nada mais me resta além de lamentar o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia”.

O ministro ainda sugeriu que, diante dessa atitude de entrar armado no STF para matá-lo, é possível que Janot também tenha cometido outras irregularidades.

“Se a divergência com um ministro do Supremo o expôs a tais tentações tresloucadas, imagino como conduziu ações penais de pessoas que ministros do Supremo não eram. Afinal, certamente não tem medo de assassinar reputações quem confessa a intenção de assassinar um membro da Corte Constitucional do País. Recomendo que procure ajuda psiquiátrica”, disse.

Gilmar Mendes, cujas decisões frequentemente são criticadas por defensores da Lava Jato, ainda disse que, enquanto ministro do STF, tem tentado evidenciar tais desvios. “Continuarei a fazê-lo em defesa da Constituição e do devido processo legal”, garantiu.

Janot diz a revista Veja que foi armado ao STF para matar Gilmar Mendes e depois se suicidar


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