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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirma que colegas juristas dele no exterior — ou, melhor, “no mundo todo” — têm uma percepção negativa sobre a condução do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do sítio de Atibaia.

O ministro explica que acompanha o caso no exterior e destaca que a Justiça brasileira fica, na ocasião, em luzes pouco positivas.

Gilmar destaca que essa impressão negativa existia antes mesmo do site The Intercept Brasil revelar conversas entre procuradores e o ex-juiz federal Sergio Moro. A série de reportagens ficou conhecida como Vaza Jato.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) negou, no fim do ano passado, a nulidade da sentença que condenou Lula por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso de Atibaia.

Gilmar aponta que é preciso ser “ortodoxo” com os processos muito marcados — “muito heterodoxos”, na avaliação do ministro. “Nós devemos ser rigorosos também no que diz respeito às formalidades. Quem quiser cometer aventuras, pode fazer, mas causa grande prejuízo à imagem do Judiciário brasileiro”, complementa.

“Embriagado, ébrio”

Gilmar Mendes diz acreditar que houve uma politização na Procuradoria-Geral da República (PGR) nos últimos anos. Em referência sobretudo ao ex-procurador Rodrigo Janot, o ministro conta que o STF viu um “déficit de liderança” na instituição.

No contexto, o ministro opina sobre a validade da delação do executivo Joesley Batista, da J&F. O STF marcou o julgamento dessa decisão para junho deste ano.

O empresário é acusado de ter mentido no acordo de colaboração. Gilmar destaca que Janot, a ex-PGR Raquel Dodge e o atual, Augusto Aras, indicaram ser a favor do cancelamento ou na invalidade da delação.

“Se se diz que Joesley subsidiou, deu propina para 250 parlamentares para financiar as suas eleições e havia aquele treinamento aquele envolvimento com Marcelo Miller e toda aquela história com o procurador. Se ele tinha de fato esse poder todo, ele era o chefe da organização criminosa, logo não poderia ser beneficiado por aquela indulgência plena que se deu a ele”, finaliza. (Metrópoles)


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