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Veja – O chanceler da Bolívia, Diego Pary, denunciou nesta segunda-feira um golpe de Estado em curso no seu país promovido pela oposição a Evo Morales, ao comparecer na Organização dos Estados Americanos (OEA) para falar sobre a crise desatada com a questionada reeleição do presidente Evo Morales.

“A agressão seletiva aos cidadãos e às forças de segurança, o apelo para que as Forças Armadas e a Polícia Nacional se rebelem, e finalmente a cominatória ao presidente Evo Morales para abandonar o governo em 48 horas são claras evidências de que há um golpe de Estado a caminho que pretende aquebrantar a vida democrática da Bolívia através do caos e do enfrentamento”, disse Pary durante sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA em Washington.

Pary pediu aos representantes dos 34 países membros ativos do bloco regional que se somem “à defesa da democracia” na Bolívia.

Segundo o chanceler, os “progressos” em termos de “inclusão política” e “crescimento econômico sem precedentes” do governo de Morales, no poder desde 2006, correm “risco de retrocesso” diante de “grupos fascistas”.

Pary acusou o chefe do Comitê Cívico de Santa Cruz (direita), Luis Fernando Camacho, que no sábado deu o ultimato para que Morales renuncie até às 19h desta segunda-feira (20h Brasília), de liderar esta campanha.

“Hoje a amanhã são dias decisivos para nosso país, dois dias que vão definir se a Bolívia continua no caminho da democracia ou vai para a violência”.

Camacho anunciou na noite desta segunda-feira que viajará a La Paz na terça para entregar a Morales a carta de renúncia para que seja firmada.

“Quero dizer ao presidente que vou pessoalmente levar esta carta à cidade de La Paz, que saiba que não estou indo armado, que vou com minha fé e a minha esperança, com uma Bíblia na mão direita e sua carta de renúncia na minha mão esquerda”, disse Camacho para uma multidão em Santa Cruz.

“Eu lhes asseguro que Deus vai me trazer com esta carta firmada”, disse o líder opositor em um comício na capital da região mais rica do país, 900 km a leste de La Paz.

Camacho pediu à população que “paralise” todas as repartições públicas da região.

A Bolívia entrou nesta segunda-feira em sua terceira semana de protestos, após eleições cuja apuração foi questionada pela oposição e por diversos países da região.

Durante a sessão extraordinária da OEA desta segunda-feira, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Guatemala, Peru, República Dominicana e Venezuela (representada pelo delegado do líder opositor Juan Guaidó) exortaram a “todas as partes” na Bolívia a assumir o resultado da auditoria da órgão regional e implementar suas conclusões.


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