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O ministro da Economia, Paulo Guedes, está finalizando um dos principais e mais importantes projetos do governo: a reforma administrativa. O objetivo da proposta, que será encaminhada em breve ao Congresso, é reduzir o tamanho do Estado e, sobretudo, cortar despesas. Ao defender essa bandeira liberal, Guedes já se envolveu numa tremenda polêmica ao comparar servidores públicos a parasitas que gozariam de privilégios extraordinários, receberiam salários acima da média dos demais trabalhadores e ainda estariam matando o hospedeiro aos poucos. A generalização, evidentemente, foi um exagero, e o ministro já se desculpou publicamente pelo que disse. O fato é que há muitas distorções na máquina pública que precisam ser corrigidas — e, para vencer as resistências que naturalmente surgirão às mudanças, tanto o Ministério da Economia quanto o próprio Guedes precisam dar o exemplo.

Às sextas-feiras, o ministro costuma montar uma agenda de trabalho no Rio de Janeiro, onde mora sua família. Ele viaja em voos comerciais. Poderia, se quisesse, usar os jatos da frota oficial — mas não o faz. Na sede do ministério, normalmente despacha com assessores e recebe empresários. Nos compromissos externos, conta sempre com o olhar atento de um segurança que o acompanha a todos os lugares, inclusive nos fins de semana. Mas nesse ponto existe um pequeno problema: o segurança não é segurança, trabalha fora de seu horário de expediente, muitas vezes aos sábados e domingos, põe a própria vida em risco e não recebe o salário correspondente à função. Para completar, o ministério, mesmo alertado de todas essas irregularidades há quase um ano, nada fez para corrigi-las. É o tal mau exemplo que deveria ser evitado.

Paulo Guedes está diretamente envolvido em projetos do governo que despertam ódios e paixões, como a privatização das estatais e as reformas administrativa e da Previdência. É compreensível, portanto, que haja uma preocupação mínima com a segurança dele, especialmente no Rio de Janeiro. Além da iniciativa de blindar os carros, decidiu-se que era prudente designar uma guarda pessoal mais ostensiva. O ministério aproveitou, então, um contrato com uma empresa que já prestava serviços à pasta para “promover” um vigilante a segurança. O funcionário ganhou um distintivo e até uma credencial para ter acesso à área restrita do aeroporto do Rio. O improviso deveria ser temporário. Em julho do ano passado, a empresa enviou um e-mail ao Ministério da Economia solicitando que a situação do vigilante fosse regularizada.

Na mensagem, havia a informação de que o vigilante estava sendo usado “em desvio de função”, “fora do horário de trabalho, nos fins de semana”, e, por causa disso, “ausentando-se das suas funções contratuais”, que eram vigiar o prédio onde fica a sede do ministério no Rio de Janeiro. A empresa pedia ainda que o caso fosse resolvido com urgência, uma vez que o funcionário estava trabalhando desarmado, o que deixava em risco tanto a vida de Guedes como a dele próprio. A burocracia do Ministério da Economia respondeu com celeridade: “Estamos buscando uma alternativa, junto às chefias superiores, para sanar este atendimento, que vem sendo realizado de forma transitória”. Apesar da promessa, nada foi feito, e o vigilante continuou atuando como guarda-costas pessoal de Guedes.

A Polícia Federal tem um departamento com agentes treinados exclusivamente para proteger autoridades que correm algum tipo de ameaça. O Ministério da Economia chegou a consultar a instituição sobre a possibilidade de colocar uma escolta à disposição de Paulo Guedes. A PF, porém, não vislumbrou nada que justificasse a medida. Diante da negativa, no início do ano foi aberto um processo de licitação para contratar uma empresa que ficará encarregada da segurança do ministro. No edital, o ministério explica a necessidade pelo fato de o ministro ser o responsável pela “condução de reformas econômicas e sociais cada vez mais significativas e notórias ao público, bem como em razão da onda de insegurança no Estado do Rio de Janeiro”. Questionado, o Ministério da Economia informou que não comenta detalhes que envolvam a segurança do ministro. Sobre o caso do vigilante transformado em segurança pessoal, a pasta limitou-se a ressaltar que Guedes desconhecia a situação e que já foram tomadas as providências para identificar o autor do procedimento incorreto da área administrativa que deu origem ao problema. Traduzindo: a culpa, é claro, foi de algum servidor pouco diligente — o tal “parasita”, como definiu o ministro. (Veja.com)


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