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A historiadora Lilia Schwarcz usou as redes sociais, nesta terça-feira (4/8), para prestar esclarecimentos após ser cancelada na web por comentários em artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, sobre o novo trabalho audiovisual de Beyoncé, Black is King.

“Passei as última 48 horas praticando a escuta. Conversei com pessoas amigas e críticas, e rascunhei essa mensagem inúmeras vezes. Não deveria ter aceito o convite da Folha, a despeito de apreciar muito o trabalho de Beyoncé; seria melhor uma analista ou um analista negro estudiosos dos temas e questões que a cantora e o filme abordam”, disse a estudiosa.

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Passei as última 48 horas praticando a escuta. Conversei com pessoas amigas e críticas, e rascunhei essa mensagem inúmeras vezes. Não deveria ter aceito o convite da Folha, a despeito de apreciar muito o trabalho de Beyoncé; seria melhor uma analista ou um analista negro estudiosos dos temas e questões que a cantora e o filme abordam. Ao aceitar, não deveria ter concordado com o prazo curto que atropela a reflexão mais sedimentada. Deveria também ter passado o artigo para colegas opinarem. Não ter dúvidas é ato de soberba. Também não deveria ter escrito aquele final; era irônico e aprendi que é melhor dizer, com respeito, do que insinuar. A primeira parte do artigo eleva a obra de Beyoncé, o que não é favor algum: trata-se de uma celebração da experiência negra realizada por uma das maiores artistas do nosso tempo. Apesar da minha carreira na área, não se está imune à dimensão do racismo estrutural e da branquitude. Errei e peço desculpas aos feminismos negros e aos movimentos negros com os quais desenvolvi, julgo eu, uma relação como aliada da causa antirracista. Assumo a minha responsabilidade pelo artigo e não pretendo vencer qualquer discussão. Quando uma situação dessas se monta, todos perdem; tenho consciência. Penso que a Folha de S Paulo deveria assumir sua responsabilidade, também, pois é de sua editoria o título e o subtítulo que não usam minhas palavras. Não falo em “erro”, tampouco que Beyoncé “precisa entender” ou que usa “artifício holliwodyanno” no meu artigo. Agradeço, assim, aos que fizeram críticas construtivas, sigo aprendendo com elas.

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No texto publicado no Instagram, Lilia afirmou ainda que deveria ter passado o artigo para colegas opinarem antes da publicação e que “não ter dúvidas é um ato de soberba”. Ela completou dizendo que se arrepende de ter escrito, de forma irônica, um trecho do final do texto: “É melhor dizer, com respeito, do que insinuar”.

“Apesar da minha carreira na área, não se está imune à dimensão do racismo estrutural e da branquitude. Errei e peço desculpas aos feminismos negros e aos movimentos negros com os quais desenvolvi, julgo eu, uma relação como aliada da causa antirracista. Assumo a minha responsabilidade pelo artigo e não pretendo vencer qualquer discussão”, continuou.

Por fim, a autora do artigo pediu para que a jornal também se pronunciasse. “Penso que a Folha de S Paulo deveria assumir sua responsabilidade, também, pois é de sua editoria o título e o subtítulo que não usam minhas palavras. Não falo em ‘erro’, tampouco que Beyoncé ‘precisa entender’ ou que usa ‘artifício holliwodyanno’ no meu artigo”, encerrou.

Entenda

Lilia Schwarcz, que é uma das principais historiadoras do movimento negro brasileiro, escreveu, na Folha de S. Paulo o seguinte artigo: “Filme de Beyoncé erra ao glamorizar negritude com estampa de oncinha”.

A reação ao texto da historiadora, que, apesar do interesse acadêmico no tema, é uma mulher branca, foi devastadora. De anônimos a famosos, ela sofreu diversas críticas e entrou na lista de “cancelados” das redes sociais. (Metrópoles)


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