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Durante inspeção realizada no Hospital Delphina Aziz, Zona Norte de Manaus, foi constatado que a unidade funciona apenas com 37% da capacidade total ao custo de 8 milhões aos cofres públicos, inclusive recursos do Governo Federal. Superlotação, falta de remédios, falta de material, leitos e salas cirúrgicas desativadas também foram identificados. A unidade de reabilitação e várias alas de enfermarias nunca foram ativadas por falta de recursos.

A fiscalização realizada pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) no Hospital Delphina Aziz, na sexta-feira, 30, revelou que apesar da mega estrutura que custou milhões aos cofres públicos, segue funcionando a passos lentos, enquanto outras unidades atendem em larga escala. Do projeto de quatro fases, o hospital continua na primeira há cinco meses. Cada fase deveria ser executada ao período de 30 dias.

A secretária geral do Simeam, médica Patrícia Sicchar, que esteve a frente da fiscalização. “O hospital custou e continua custando milhões, e em contra partida, apesar de ter uma estrutura de grande porte, não atende as necessidades da população. A unidade deveria ajudar a desafogar a fila do Sisreg, deveria ser retaguarda dos outros prontos socorros, mas isso não acontece” avalia a doutora.

Desde março deste ano a O.S (Organização de Saúde) Instituto Nacional e Social de Desenvolvimento Humano (INSDH) foi contrato pelo Governo do Estado para administrar o Delphina Aziz, mesmo tendo envolvimento em casos de pagamento de propina e lavagem de dinheiro em outros estados.

A O.S é responsável pelo Delphina e pela UPA Campos Salles, que formam o Complexo da Zona Norte. Com a missão de desafogar o Sisreg, o hospital passou a receber os pacientes enviados pelo sistema de regulação.

No setor de exames de imagens encontramos um paciente que esperou dois anos para fazer uma ressonância. Francisco das Chagas, de 14 anos depende do exame para investigar uma síndrome.

A tia do adolescente, Elizonete Maciel, 45 anos, conta que eles são de Rio Branco (AC), e estão em Manaus desde 2017. “Ele já fez várias cirurgias de correções, mas há dois anos precisava fazer essa ressonância. Durante esse período foram justificativas para explicar o por quê de não fazer o exame, dentre elas, máquina quebrada, falta de material, etc”, relata a tia do menino.

De acordo com secretária geral do Sindicato dos Médicos, atualmente cerca de 170 mil pessoas estão aguardando para fazer um ou mais exames na fila do Sisreg. “Tivemos a informação que 17 mil precisam de oftalmologista. Isso é um absurdo”, informou Patrícia Sicchar.

O chamado “elefante branco da saúde do Amazonas”, possui 312 leitos, apenas 134 estão ativos e ocupados. Das 11 salas cirúrgicas, somente duas estão funcionando. O hospital possui um centro de reabilitação com 12 salas de fisioterapia que nunca foram ativadas.

“Enquanto pessoas estão internadas em cadeiras, poltronas, macas sem colchão, o hospital possui mais de 200 leitos desativados. No quarto andar, as duas alas de enfermarias nunca foram ativadas, são alas fantasmas. O mesmo acontece no terceiro e quinto onde uma ala de cada andar não funciona. Pessoas então estão morrendo, a demanda é crescente, outras unidades estão vivendo cenário de guerra, enquanto isso, o Delphina é apenas um elefante branco gigantesco, mas que na prática, não atende a demabda” denunciou a médica Patrícia Sicchar.

Na abordagem aos colegas médicos, Patrícia Sicchar recebeu reclamações de superlotação fazendo os profissionais trabalharem sobrecarregados. “Um colega disse que tá pesado trabalhar aqui”, diz a médica.

No setor de hidratação cerca de 30 pacientes, entre homens e mulheres, ocupavam o local que conta somente com um banheiro e um médico para atender o fluxo. Uma paciente relatou que deu entrada as 14h da quinta e foi atendida 22h.

Além da demora no atendimento, o resultado de exames e o retorno com o médico são outros pesadelos vividos pelos pacientes. Maria Ermelinda, mãe de um menino de 9 anos conta que chegou na unidade antes das 07h da manhã de sexta. “Já são quase 10h da manhã e nada do hemograma ficar pronto, sem falar no retorno com o pediatra. Isso é um tormento”, denúncia a mãe do paciente. Em outras unidades de Manaus, o tempo de espera para o exame de sangue demora em média 1h.

Outra dificuldade enfrentada durante a fiscalização foi o acesso a documentos. A direção negou a entrega de relatórios e relação de medicamentos e PPS à comitiva de fiscalização. O cerceamento de informações levou a Dra. Patrícia Sicchar e os deputados estaduais à sede da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) onde foram recebidos pela titular da Sea Capital, que também se negou a fornecedor qualquer informação.


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