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Dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) apontam que Caapiranga é o maior produtor de cará do Amazonas, com produção anual de 4,2 mil toneladas. O alimento, que é rico em nutrientes, tem chamado a atenção de pesquisadores e da indústria de alimentos, o que resultou em uma parceria entre o Idam, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Empresa Cargill e a Prefeitura de Caapiranga, que irão executar um projeto de beneficiamento do tubérculo produzido no município.

De acordo com o gerente do Idam de Caapiranga, Herley César Dilahar, o cará é a maior fonte de renda dos agricultores familiares do município. São mais de 350 famílias trabalhando com a atividade em uma área plantada estimada em 464 hectares. “Com o projeto de beneficiamento do cará produzido aqui em Caapiranga, o objetivo é a fabricação de subprodutos que irão agregar valor à produção, regionalizar o alimento e potencializar o consumo em outros estados”, explicou o gerente, ao destacar que o cará produzido no município é cultivado de forma totalmente orgânica.

A coordenadora do projeto e professora da Unicamp, Maria Teresa Clerici, trabalha, há um tempo, com uma diversidade de tubérculos e raízes em uma linha de pesquisa focada nos alimentos regionais. Há um ano, a professora iniciou as pesquisas com os tubérculos amazônicos em parceria com a Ufam. “O professor Pedro Henrique Campelo, da Ufam, foi quem nos contou a história do cará de Caapiranga e pesquisando, percebemos que o município tinha tudo o que precisávamos com relação ao regionalismo”, disse a professora, ao ressaltar a importância de valorizar essa cultura, que é fonte de subsistência.

Para o professor da Ufam, Pedro Henrique Campelo, é preciso fomentar, em Caapiranga, as cooperativas para produção de alimentos como amidos, farinhas, entre outros produtos fabricados a partir do cará in natura, e assim, será possível transportar esses produtos com um valor agregado.  “Queremos mostrar que vendendo só o cará in natura a região está perdendo a oportunidade de gerar uma renda maior, já com o beneficiamento e fabricação de subprodutos, será possível potencializar o consumo em outros estados e trazer desenvolvimento econômico ao município”, destacou.

O projeto ‘Fibras e amidos de tubérculos ainda não comercializados industrialmente’ foi aprovado em dezembro do ano passado e terá início em setembro deste ano, quando acontece a colheita do cará no município. Os objetivos do projeto são estudar a cadeia de processamento de farinhas de cará, capacitar pessoas para produzir e utilizar o alimento, agregar valor ao produto, gerar renda para a agricultura familiar e cooperativas, melhorar a alimentação, além de obter o registro de Indicação Geográfica (IG) para o cará produzido em Caapiranga, uma vez que, a partir dos resultados do projeto, será possível solicitar o reconhecimento. 

O secretário de Produção Rural de Caapiranga, Francimar Ramalho, acredita que o projeto trará grande desenvolvimento econômico ao município. Ele destaca ainda a importância do cará produzido ali ser reconhecido como produto feito de forma orgânica e com o selo IG. “Nós vamos apoiar essas duas universidades reconhecidas nacionalmente porque hoje somos o maior produtor de cará do estado e não sabemos aproveitar essa riqueza que nós temos, mas com esses estudos vamos agregar valor a essa produção, trazer desenvolvimento e reconhecimento ao nosso município”, disse.


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