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Folha de S.Paulo – Manifestantes liderados por indígenas começaram nesta quarta (9) uma greve nacional no Equador, no sétimo dia de protestos detonados pelo aumento do preço dos combustíveis. Não há tráfego de veículos nas ruas e o comércio está fechado na capital e em outras cidades.

As manifestações, que já levaram a prisão de mais de 700 pessoas e a duas mortes, seguem violentas. Forças de segurança jogaram bombas de efeito moral contra centenas de ativistas que marcham próximo ao Palácio Presidencial, em Quito.

“Nossa bandeira é vermelha, como o sangue da classe trabalhadora!”, entoaram os manifestantes no centro da capital, agitando faixas vermelhas.

Na cidade costeira de Guayaquil, para onde a sede do governo foi transferida na segunda (7) em função da violência dos protestos em Quito, manifestantes ergueram barricadas em ruas, ao passo em que forças de segurança bloquearam uma ponte na tentativa de conter os protestos.

O clima tenso se segue à invasão da Assembleia Nacional nesta terça (8). Logo após o episódio, o presidente Lenín Moreno ordenou, por meio de um decreto, a restrição do movimento em áreas próximas a prédios do governo e instalações estratégicas em Quito.

Além disso, o país está sob estado de exceção, medida que transforma o território em uma zona de segurança. Assim, o governo pode suspender ou limitar direitos como livre circulação ou impor censura prévia à imprensa.

A principal organização indígena do país, Conaie, mobilizou nesta quarta cerca de 6.000 membros para Quito de áreas periféricas, e disse que o governo do presidente Lenín Moreno está se comportando como uma “ditadura militar” ao declarar o estado de exceção e estabelecer um toque de recolher noturno.

Desde o dia 3, manifestantes protestam contra medidas de austeridade do governo que provocam a pior agitação no Equador em anos. 

O levante ocorre devido a um acordo assinado em fevereiro com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que garantirá um empréstimo de US$ 4,2 bilhões (R$ 17,05 bilhões) ao país. Em contrapartida, o governo tem de adotar medidas austeras, como o corte de um subsídio a combustíveis em vigor há 40 anos.

A decisão gerou um aumento de até 123% nos preços da gasolina e do diesel e revoltou a população.

“O que o governo fez é recompensar os grandes bancos, os capitalistas e punir os pobres equatorianos”, disse Mesias Tatamuez, chefe do sindicato dos Trabalhadores da Frente Unida. “Apelamos a todos os que estão contra o FMI, responsável por esta crise, para que se juntem à greve.”

Na terça, Moreno afirmou novamente que não voltará atrás no corte dos subsídios e negou que vá renunciar.

O mandatário tem apoio da elite empresarial e dos militares, mas sua popularidade é menos da metade do que era há dois anos e os equatorianos estão conscientes de que os protestos indígenas ajudaram a derrubar três presidentes antes de Correa.

Cronologia dos protestos

21.fev
Equador e FMI acordam pacote de R$ 17 bilhões; órgão exige que país adote medidas de austeridade

3.out
Governo põe fim de subsídios a combustíveis e preços sobem até 123%. Protestos começam e Executivo declara estado de exceção

4.out 
Mais de 350 pessoas são presas e 21 policiais ficam feridos. Grupo de 47 militares fica retido em comunidade indígena

5.out 
Trabalhadores do setor de transporte anunciam fim da greve, mas indígenas e sindicatos seguem mobilizados. Presos já são 379, e agentes feridos, 59

6.out 
Vinte são presos por cobrar preços abusivos de alimentos. Um homem morre após ambulância ficar bloqueada em estrada
 
7.out 
Presidente transfere sede do governo para Guayaquil e acusa seu antecessor, Rafael Correa, de tentar um golpe de Estado

8.out 
Indígenas lideram greve geral no país 


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