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Considerada a enfermidade mais antiga da humanidade, a hanseníase tem cura, mas ainda representa um problema de saúde pública no Brasil, o qual ocupa a 2ª posição no mundo, ficando atrás apenas da Índia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Para enfatizar o Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, celebrado no último domingo do mês, foi criado o Janeiro Roxo, iniciativa que busca melhorar o controle da doença por meio da disseminação de informações especializadas e conscientização da população sobre sua gravidade, bem como a necessidade de diagnóstico e tratamento precoces, contribuindo para a redução do preconceito acerca da doença.

A dermatologista do Hapvida Saúde, Lívia Lima, explica que a hanseníase se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos. “A hanseníase é uma doença infectocontagiosa de evolução crônica. O diagnóstico, tratamento e cura dependem de exames minuciosos e quando descoberta tardiamente, pode trazer deformidades e incapacidades físicas”, explica a médica.

A especialista esclarece, ainda, que o atendimento é feito por equipes multiprofissionais e o dermatologista tem um importante papel no diagnóstico e tratamento. “O dermatologista é responsável pela avaliação clínica do paciente, com aplicação de testes de sensibilidade, avaliação e monitoramento da função dos nervos periféricos. É o médico que está apto a fazer uma biópsia ou pedir exames laboratoriais, caso evidencie alguma lesão suspeita no paciente”, destaca Lívia.

Como identificar

A dermatologista pontua alguns sinais comuns para identificar um possível reconhecimento prévio da hanseníase, os quais são:

  • Manchas hipocrômicas e esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer região do corpo, apresentando perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades dos membros superiores e inferiores, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas;
  • Áreas com redução dos pelos e do suor;
  • Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas;
  • Edema de mãos e pés;
  • Redução da sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
  • Úlceras de pernas e pés;
  • Nódulos, em alguns podendo estar avermelhados e dolorosos;
  • Juntas apresentando febre, edemas e dor;
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
  • Olhos ressecados.

Tratamento

De acordo com a dermatologista, o tratamento varia de seis meses a um ano, podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais. Após a primeira dose da medicação não há mais risco de transmissão durante o tratamento e o paciente pode conviver em meio à sociedade. O paciente pode fazer a administração dos medicamentos em casa e apenas fazer o acompanhamento periódico nas unidades de saúde. O tratamento é eficaz e cura.

Prevenção

A especialista explica que ter hábitos saudáveis, alimentação adequada, evitar o álcool e praticar atividade física associada a condições de higiene, contribuem para dificultar o adoecimento pela Hanseníase.  

Além disso, destaca que a melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, assim como o exame clínico e a indicação de vacina BCG para melhorar a resposta imunológica dos contatos do paciente. Desta forma, a cadeia de transmissão da doença pode ser interrompida.  

Avanços

O Amazonas está entre os 10 estados brasileiros com as menores taxas de detecção de casos novos de hanseníase por 100 mil habitantes. A taxa de casos novos no estado é de 10,31, enquanto a taxa nacional é de 13,70, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Essa é a menor taxa registrada pelo Amazonas nos últimos dez anos 10 anos (2009-2018) com dados consolidados pelo Ministério da Saúde.

Na região Norte, o Amazonas também é o estado com a menor taxa. O Pará apresenta 30,44, Acre (15,79), Rondônia (40,63), Roraima (20,16), Amapá (13,41) e Tocantins (109.32). De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hanseníase mais recente do Ministério da Saúde, nos últimos três anos foram registrados 1.333 casos da doença no Amazonas.

Em 2018, o Ministério da Saúde registrou 425 novos casos; em 2017, foram 460. Em 2019, até primeira quinzena de dezembro, o Sinan detectou no Amazonas 401 casos novos de hanseníase, o que representa uma redução de 12%, nos últimos três anos.


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