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Folha de S.Paulo – A maioria dos millennials acha provável que ocorra um ataque nuclear nos próximos dez anos, e quase a metade deles considera que deve haver uma terceira guerra mundial enquanto estiver vivo. É o que afirma uma pesquisa feita pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) com 16 mil pessoas dessa faixa etária —de 20 a 35 anos de idade— em 16 países.

O levantamento, realizado pelo Instituto Ipsos, entrevistou gente tanto em países que se encontram em conflito quanto os que estão em situação de paz. São eles: Afeganistão, Colômbia, EUA, França, Indonésia, Israel, Malásia, México, Nigéria, Reino Unido, Rússia, Síria, África do Sul, Suíça, territórios palestinos ocupados e Ucrânia. O Brasil não fez parte da amostra. 

As entrevistas foram feitas entre junho e outubro de 2019, ou seja, antes da recente escalada no conflito entre Irã e Estados Unidos.

“Os millennials são os políticos, os responsáveis pela adoção de decisões, os estrategistas e formadores de opinião de amanhã. Os pontos de vista que têm hoje sobre a guerra poderiam ser indícios do rumo que o mundo tomará no futuro”, afirmou o presidente do CICV, Peter Maurer, no documento de apresentação da pesquisa.

O medo de um ataque nuclear é grande entre os millennials. Mais da metade dos entrevistados (54%) disseram achar provável que isso ocorra nos próximos dez anos. O temor é maior na Malásia, que registrou 77% de respostas positivas, e menor na Síria, onde 56% opinam o contrário. 

Afetados por uma violenta guerra que já dura nove anos, os sírios, aliás, foram os que mais desaprovaram o uso de armas de destruição massiva: 96% disseram que não é aceitável, em nenhuma circunstância, empregar armas químicas e biológicas e 98% disseram o mesmo sobre as nucleares. No total da pesquisa, 84% dos millennials são favoráveis à proibição desse tipo de armamento.

Sobre a possibilidade de que ocorra uma terceira guerra mundial ao longo de sua vida, os millennials se mostraram divididos: 47% consideram provável e 46%, não. 

Questionados sobre a chance de serem afetados pessoalmente por um conflito armado no futuro, os mais pessimistas são os malaios (68% acreditam que isso é muito provável) e os mais otimistas, os suíços (76% acham o cenário improvável).

Entre os que já vivem em países em conflito, os mais pessimistas são os habitantes de Israel e dos territórios palestinos: 65% e 52%, respectivamente, consideram que a guerra no local onde vivem não acabará nunca. Na Ucrânia estão os mais otimistas, com 69% dizendo acreditar que o conflito em seu país terminará nos próximos cinco anos. Entre os sírios, 60% responderam o mesmo.

Os pesquisadores também perguntaram sobre os limites impostos pela Convenção de Genebra, conjunto de acordos internacionais que dispõe, por exemplo, sobre a proibição da tortura e a redução dos efeitos de conflitos sobre a população civil.

Três em cada quatro millennials acreditam que ainda é necessário impor esses limites, mas o CICV considera preocupante que 41% considerem a tortura aceitável em algumas circunstâncias e 36% opinem que não se deve permitir que inimigos capturados estabeleçam contato com seus familiares.

Para 15%, os combatentes devem fazer tudo o possível para ganhar guerras, independentemente das vítimas civis que se produzam.

O comitê destaca que a maior disposição a defender condutas humanitárias veio dos jovens que vivem em países em conflito. Entre os sírios, por exemplo, 70% não consideram a tortura aceitável e 85% pensam que os presos devem ter contato com parentes. Além disso, 87% deles disseram que a atenção à saúde mental das vítimas de conflitos é tão importante quanto lhes prover alimento, água e refúgio.

São os millennials desses países também que se mostraram mais esperançosos. Enquanto 46% acreditam que as guerras no mundo vão diminuir ou acabar nos próximos 50 anos, 30% dos países em paz disseram o mesmo.

“Há esperança, e paradoxalmente os mais esperançosos são os que se veem mais afetados de maneira direta pela guerra”, escreveu Maurer.


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