Ministra da Agricultura quer liberar mais agrotóxicos, mesmo que não exista 'risco zero' quanto ao uso das substâncias Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Estadão | A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse que haverá cada vez mais aprovação de registros de defensivos agrícolas, o que é necessário para o Brasil “entrar na modernidade”. Depois de polêmica criada pela liberação de novos defensivos, a ministra alegou que os produtos autorizados atualmente têm menos toxicidade e são melhores para o País, já que, segundo ela, a lei brasileira não permite registro de produto mais tóxico ou com a mesma toxicidade dos já existentes.

“A aprovação de mais produtos mostra mais eficiência. São produtos menos tóxicos. Temos que continuar aprovando mais. Vocês vão ver cada vez mais acontecer registros, para entrarmos na modernidade e termos produtos cada vez menos tóxicos”, disse a jornalistas durante um café da manhã com professores, especialistas e representantes de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para “nivelar a conversa” sobre a liberação de defensivos e “não ter questionamentos lá fora”.

Ela admitiu, no entanto, citando uma das professoras presentes no encontro, que não existe risco zero “para nada”, mas que, no caso dos defensivos, os riscos são calculados e semelhantes aos de outros países. “Problemas existem. Quem estava no World Trade Center tinha toda segurança, alguém ia prever que aquela tragédia ia ocorrer?”, comparou, em referência ao ataque terrorista feito em 2001 em Nova York. ” Você nasce, e tem o risco de o médico fazer barbeiragem. O jovem agora está mais preocupado com a saúde, mas essas bombas que os jovens usam, para ficarem mais fortes, não faz mal?”.

Recorde de liberação de agrotóxico

Tereza rebateu a informação de que o governo do presidente Jair Bolsonaro liberou defensivos em número recorde. De acordo com dados apresentados por ela, dos 262 produtos registrados neste ano, apenas sete são novos, sendo os demais equivalentes ou genéricos ao que já vinha autorizado. Ela disse ainda que existe uma fila com mais de 2 mil pedidos e que nenhum registro concedido este ano começou a tramitar em 2019. “Isso não é governo Bolsonaro ou nenhum outro, tem uma metodologia científica”, afirmou.

Cuidado para não assustar o consumidor estrangeiro

A ministra disse estar incomodada com as notícias sobre o assunto e afirmou que é necessário tomar cuidado para não “aterrorizar” os consumidores brasileiros e “muito menos” os consumidores externos. “O Brasil não utiliza defensivos banidos lá fora, não é bem assim. Tem pesticidas que são usados aqui e não na Europa porque eles não têm a mesma cultura. O Brasil não utiliza nada que não pode ser usado”, afirmou. “Nosso alimento é absolutamente seguro. É um desserviço o que estamos fazendo, ajudando nossos concorrentes. Ninguém está pondo veneno no prato de ninguém. O consumidor brasileiro não está sendo impactado, a não ser pelo mau uso (de defensivos)”, completou. 

Tereza Cristina disse ainda que um tema técnico foi se transformado em “combustível para guerra política” no Brasil e para a guerra comercial no exterior. “Há dados estapafúrdios sendo utilizados sem credibilidade e que estão gerando insegurança para o nosso consumidor”, completou. Ela reforçou que a avaliação de pedidos de registros de agrotóxicos é feita pela área técnica do Ministério da Agricultura e segue protocolos rígidos, e disse que o ministro nem toma conhecimento do processo. “Defensivos não são assunto político”, afirmou. “É a ciência e somente a ciência que deve continuar pautando as políticas públicas do setor agropecuário.”

Segundo a ministra, a repercussão de notícias pode levar a questionamentos por outros países – o que ainda não ocorreu. “Não é que vamos parar de vender, mas vamos ter questionamentos.” 


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