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Se ontem, por volta do meio-dia como contou o general Hamilton Mourão, presidente da República em exercício, o ministro Paulo Guedes, da Economia, estava angustiado com a possibilidade de Marcos Cintra, Secretário da Receita Federal, ser demitido, é porque até àquela hora ele não desejava livrar-se dele.

Livrou-se depois que o presidente Jair Bolsonaro, do hospital onde está internado, mandou que ele o fizesse. Ou obedecia à ordem ou se arriscaria a ser demitido também. Guedes viu-se na mesma situação que enfrentara quando Bolsonaro ordenou que cortasse a cabeça de Joaquim Levy, então presidente do BNDES.

Para não perder a sua, cortou a de Levy como agora a cabeça de Cintra, que chamara para fazer parte de sua equipe justamente porque sempre defendeu a recriação da CPMF, imposto sobre as transações financeiras. Durante a campanha eleitoral do ano passado, Guedes também defendera a volta da CPMF.

Desautorizado por Bolsonaro candidato, recuou. Uma vez que ele se elegeu, retomou a ideia. E no início desta semana, em entrevista ao jornal Valor, chegou a expô-la adiantando alguns detalhes. A repercussão negativa tomou conta das redes sociais. Devotos de Bolsonaro a criticaram. A sorte de Cintra acabou selada.

Segundo insinuou Mourão, a discussão em torno de um imposto que Bolsonaro sempre fora contra tornou-se pública antes do tempo. Do contrário poderia até ter prosperado. Ultimamente, Bolsonaro se mostrara menos resistente à proposta. Só pedia que se providenciassem meios e modos de torná-la mais palatável.

Guedes jamais será um ministro como outro qualquer. Seus domínios são amplos e a economia é a área mais sensível de qualquer governo, tanto mais quando patina. Mas Guedes já gastou parte do cacife que tinha ao desembarcar em Brasília pela primeira vez na condição de Posto Ipiranga do governo do capitão.

Achava-se capaz de dar uma prensa no Congresso para forçá-lo a atender aos seus desejos – não deu certo. Ou capaz de zerar o déficit fiscal em um ano – não zerou e não irá zerar até onde a vista alcança. Imaginava que Bolsonaro o deixaria tocar o barco ao seu ritmo – esqueceu que o dono da caneta é ele.

Vez por outra, fala que se lhe der na telha largará o governo e, aí, sim, o país ficará ingovernável. Pode ser jogada esperta para remover obstáculos ou manifestação de soberba de um economista que nunca foi reverenciado por seus pares. Mas deve-se prestar atenção ao que ele tem dito até mesmo com certa frequência.

Bolsonaro foi refém de dois ministros poderosos – Guedes e Sérgio Moro, da Justiça. Os papéis se inverteram. (veja.com)


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