Namorada beija réu que tentou matá-la com cinco tiros - Crédito: Reprodução - Álvaro Pegoraro/Folha do Mate
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Uma cena inusitada chamou atenção de quem acompanhava o tribunal do juri, na terça-feira, 28, na cidade de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. Lisandro Rafael Posselt, 28 anos, estava sendo julgado por tentativa de feminicídio, pois em agosto de 2019 tentou matar a namorada com cinco tiros.

No plenário, a vítima, Micheli Schlosser, 25 anos, assistia ao julgamento. Os presentes assistiram Micheli abraçar e beijar o réu, que era seu namorado na época dos fatos e, atualmente, se encontra preso.

Ela pediu autorização ao juiz que presidiu a sessão, João Francisco Goulart Borges, para se aproximar do réu e recebeu a permissão.

O fato foi divulgado em todas as emissoras e mídias locais. “Ele nunca tinha me agredido, sempre foi muito bom para mim e já pagou pelo erro dele”, afirmou Micheli.

O agressor está preso na Penitenciária Estadual de Venâncio Aires e durante o julgamento pediu uma nova chance aos jurados e disse que quer mudar de vida. O advogado de defesa, Jean Menezes Severo, argumentou na tribuna, que a vítima é a mais interessada no julgamento e que ela já perdoou seu cliente.

Preso desde agosto de 2019, Lisandro Rafael Posselt, de 28 anos, foi condenado a sete anos de prisão (cinco por tentativa de feminicídio privilegiado, por agir sob forte emoção – o que diminui a pena – e dois anos por porte ilegal de arma). Ele deve cumprir a pena em liberdade, pois não possui antecedentes e a condenação foi menor do que oito anos.

Vítima disse que provocou o réu

De acordo com o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto, Micheli alegou durante o processo que era a culpada pelo descontrole emocional do rapaz. Ela ainda afirmou que a discussão teria ocorrido após ela o ameaçar de uma falsa denúncia de estupro.

“Entendemos que a versão não é verdadeira. Mesmo que fosse, não seria privilegiadora, pois o crime não foi na mesma hora. Ele saiu do local e retornou depois com a arma”, disse o promotor ao GaúchaZH. A acusação vai recorrer para aumentar a pena do réu.

Segundo a investigação, o casal discutiu na praça central de Venâncio Aires, no dia 14 de agosto, na presença de amigos. Após a briga, Lisandro saiu do local e retornou armado, conduzindo uma motocicleta. Ao perceberem a aproximação do homem, os amigos empurraram Micheli para dentro de um carro.

Lisandro disparou sete vezes pelo vidro traseiro, acertando cinco disparos na vítima. Micheli foi internada e se recuperou dos ferimentos. No dia seguinte ao crime, o homem foi até a delegacia acompanhado de um advogado e entregou a arma usada no crime. Ele foi preso preventivamente. A vítima chegou a pedir medida protetiva contra o réu. Mas, depois, pediu autorização judicial para visitá-lo na prisão, que foi negada.

Quadro de ciúme doentio

Segundo o UOL, o promotor Pedro Rui da Fontoura Porto comentou, após o júri, que em alguns casos de violência doméstica é normal a vítima se colocar a favor do agressor. Porém, nunca tinha visto tal situação em um caso de tentativa de feminicídio. “Se fosse um caso de agressões mais leves, se ele (o réu) não tivesse atirado cinco vezes, muito menos acertado, eu até tentaria interpretar de uma outra forma”, disse.

Segundo ele, o que chama a atenção é a gravidade do caso. “O fato dela chegar não só em plenária, mas também na audiência de instrução que ocorreu antes, e dizer que quer casar com ele, que quer viver o resto de sua vida com um homem que tentou matá-la, surpreendeu a todos. Quando o juiz anunciou a sentença em regime semiaberto, ela aplaudiu. Nunca vi isto antes”, afirmou.

O promotor argumentou ainda que houve circunstâncias do relacionamento que levaram até o crime. “Era um quadro de ciúme doentio de ambas as partes e de violência. Ela teve uma sorte incrível. Apesar de ter sido atingida com cinco tiros, todos efetuados pelas costas, e das balas ainda estarem alojadas no seu corpo, hoje está ilesa, sem sequer uma sequela.”

Os tiros acertaram a cabeça, o braço esquerdo e as costas. Anteriormente ao fato, não havia nenhuma denúncia de violência contra o acusado na polícia. “Porém, o que se sabe é que no dia anterior ao crime ele teria a ameaçado com a arma e prometido matá-la. Disse que em seguida cometeria o suicídio. Mas o fato não foi registrado”, relatou o promotor.

Em entrevista para UOL, a vítima Micheli Schlosser, respondeu:

“Mas na sua opinião, o que o levou a atirar contra você?”

– Eu falei muita coisa sem pensar naquele dia. Eu disse que denunciaria ele por agressão e outras coisas. Mas ele nunca me agrediu antes. Eu não fico com homem que agride.

Com informações de Folha do Mate, Istoé e UOL.


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