O médico João Carlos dos Santos prestou depoimento a CPI da Saúde (Foto Divulgação)
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Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na tarde desta terça-feira (4), o médico João Carlos dos Santos afirmou ter recebido apenas R$ 60 mil pelos exames ginecológicos realizados por ele durante ação de saúde em três municípios do interior do Amazonas, em 2017. O valor apresentado pelo profissional de saúde é 93% menor do que o total de R$ 868mil, pagos pelo governo do estado da época à empresa Norte Serviços, escolhida para prestar serviços por meio de contrato indenizatório. De acordo com depoimento do profissional de saúde à Comissão, o valor recebido por ele ainda foi R$18mil abaixo do valor acordado antes da oferta de serviços.

“O dr. João elucidou os bastidores obscuros da oferta de exames médicos em 2017 e apresentou a mesma Norte que temos investigado até aqui: repleta de fraudes e lucrando muito mais sobre o erário público por meio de processos fraudulentos. Os valores unitários e totais do serviço prestado pelo médico foram infinitamente menores do que os recebidos pela Norte Serviços. Sem contar que o profissional foi ao interior sem qualquer apoio estrutural por parte do governo do estado. Levou desde os assistentes até impressoras e aparelhos médicos. É assustadora e vergonhosa essa constatação de hoje”, afirmou o deputado estadual Delegado Péricles.

O médico João Carlos afirmou ter realizado 99 procedimentos nos municípios de Envira (40), Ipixuna (47) e Guajará (12), nos dias 28 e 29 de julho e 10 e 11 de agosto. “Aqui constatamos a disparidade total da prestação de serviços quando comparada ao serviço que a Norte alegou ter prestado em processo. O dr. João apresentou documentos que comprovam a realização de 91 procedimentos de colposcopia, mas apenas 13 conizações e não 91 como afirmadas pela empresa contratada. É absurdo o acréscimo na quantidade de exames para justificar valores muito acima do que realmente deveriam ser cobrados”, continuou o parlamentar.

Ainda de acordo com depoimento do médico, os valores cobrados por ele para oferta de exames foram diferentes do valor unitário R$8.868 por procedimento de conização e colposcopia declarado e pago em processo. “O médico afirmou à essa CPI que cobrou R$700 pela colposcopia com biópsia, R$640 sem biópsia e R$ 1.5mil pela conização. Total completamente inferior ao pago. Prova clara de fraude, corrupção na prestação de serviço por parte da empresa contratada. E ainda há pessoas que tentam colocar em xeque o trabalho desta CPI. O que temos mostrado à população é essa corrupção que ronda nossa saúde do estado há tantos anos”, concluiu.


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