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Olá Navegantes! Continuando nossa viagem da semana passada, na qual introduzimos o tema ansiedade, hoje nos aprofundaremos sobre o transtorno de ansiedade generalizada – TAG. Muitas pessoas já conhecem siglas utilizadas na psicologia como TOC e TDAH, mas TAG ainda soa desconhecido para a grande maioria, embora seja um transtorno ainda mais prevalente na população do que o TOC, por exemplo.

Mas você, que navega na psicologia com a gente já sabe que a TAG – É um transtorno de ansiedade generalizada e que pode acometer indivíduos de todas as idades e nas mais diferentes situações e contextos sociais. É importante dar “nome aos bois” e saber identificar quando aquela ansiedade (com a qual você pode até ter se acostumado a conviver) é persistente e necessita de tratamento profissional.

De acordo com DSM-V– Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- as características principais do transtorno de ansiedade generalizada são ansiedade e preocupação persistentes e excessivas acerca de vários domínios, incluindo desempenho no trabalho e escolar, que o indivíduo encontra dificuldade em controlar. Além disso, são experimentados sintomas físicos, incluindo inquietação ou sensação de “nervos à flor da pele“; fatigabilidade; dificuldade de concentração ou “ter brancos”; irritabilidade; tensão muscular; e perturbação do sono.

Mas você pode estar pensando: “nossa, mas se for assim então tem muita gente por aí desse jeito” ou “será que eu tenho TAG?” “Parando pra pensar eu sinto tudo isso”. E eu te digo que sim, tem muita gente com TAG, a maioria não sabe que tem e por consequência não trata e sim, você que está lendo nesse momento também pode estar convivendo com esse transtorno sem ter se dado conta, achando que tudo é “estresse” da rotina mesmo e tomando seu remedinho da gastrite todo dia de manhã, esperando que tudo fique bem, ou como diríamos em 2020, que “tudo volte ao normal.”

Mas nós seres humanos temos aquela tendência né, de varrer tudo pra debaixo do tapete e evitar entrar em contato com aquilo que nos tira da nossa zona de conforto.

Às vezes “dói” aceitar que você tem feito escolhas que te adoecem e dói ainda mais aceitar que às vezes é preciso renunciar aquilo que você tanto deseja, por sua saúde.

Há quanto tempo se utiliza a frase “tempo é dinheiro”, e se vive com essa “pressa capitalista?” As pessoas se acostumaram tanto a viver agitadas e pressionadas, que tem medo do futuro, que não conseguem dormir pensando nas preocupações do dia seguinte, nos problemas a enfrentar, em como ganhar dinheiro, pagar as contas, cumprir todas as tarefas designadas. Escola, trabalho, trânsito, compromissos. Pensamentos desordenados. Enquanto você dorme seu cérebro está dando o seu melhor para te preparar para o dia seguinte, e quando você não consegue dormir ou dorme pouco? Esse estado contínuo de ansiedade abre as portas e janelas para que a TAG venha fazer morada.

As mesmas pessoas que vivem pela premissa do “tempo é dinheiro” gastam muito dinheiro para tentar recuperar esse tempo, (que não volta mais). Lotam consultórios médicos querendo os remedinhos pra dormir, pra ficar calmo, pra relaxar, pra gastrite nervosa, etc. É preciso voltar ao normal sim, voltar ao ritmo de vida que nos permite dormir e descansar, apreciar os momentos de cada dia com qualidade e não apenas amanhecendo a segunda desejando o anoitecer de sexta a cada semana.

Se você, navegante, apresenta ou conhece alguém que apresenta sintomas persistentes de ansiedade há pelo menos seis meses, não hesite em consultar um profissional de saúde mental. Não espere que surjam outras comorbidades (doenças associadas) como transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno bipolar, entre outros.

E não esqueça: não perca seu tempo tentando ganhar tempo.

Até breve,

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


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