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Olá Navegantes!

Pra quem é novo aqui, abro o parênteses (e explico que estamos aprendendo nas últimas semanas sobre os Transtornos do Neurodesenvolvimento, que inclusive você pode conferir navegando na nossa página aqui no Fato Amazônico). Dito isso, vamos conversar hoje sobre o Transtorno do Espectro Autista, (TEA) ou como a grande maioria das pessoas conhece: autismo.

Primeiro, vou explicar o que é o autismo e o porquê desse nome mais complicado “espectro autista”. O autismo consiste no prejuízo persistente na comunicação e interação social, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (esses sintomas surgem ainda na primeira infância). Existem 3 níveis de classificação, (graus de comprometimento), sendo leve, moderado e severo.

Aí você deve estar se perguntando sobre a palavra “espectro”. A palavra Espectro, nesse caso, faz analogia ao ‘espectro eletromagnético’ (que é o intervalo completo de todas as possíveis frequências da radiação eletromagnética). No entanto, no caso do TEA, ao invés de radiações teremos ‘sintomas’. Assim sendo, a palavra Espectro dá a ideia de um intervalo completo, com todas as possibilidades de gravidade dos sintomas.

Resumindo, o que se chama hoje de Transtorno de Espectro Autista é assim chamado porque o autismo não se manifesta apenas de uma única forma. Ele pode ocorrer em diversos níveis, influenciar a funcionalidade e a sociabilidade do indivíduo em diversos graus, e os sintomas e sensibilidades também variam de acordo com inúmeros fatores: por isso, um espectro.

Dentro do mesmo guarda-chuva estão os transtornos que antes eram chamados de autismo infantil precoce, autismo infantil, autismo de Kanner, autismo de alto funcionamento, autismo atípico, transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação, transtorno desintegrativo da infância e transtorno de Asperger”. Todos eles são classificados hoje como Transtorno do Espectro Autista.

Agora você já sabe. Todos estão dentro desse mesmo espectro, assim como todos os níveis de comprometimento. Vale ressaltar que cada indivíduo apresenta o transtorno de forma muito singular, jamais será tão característico como uma síndrome, embora o autismo tenha alta herdabilidade. Ou seja, se alguém na sua família é autista, existe grande probabilidade de incidência do transtorno em mais algum membro.

Agora vamos para a parte mais emblemática, os sintomas. Que tipos de comportamento uma criança autista apresenta? Eu já ouvi muitas mães falando “meu filho é autista”, sem nem mesmo ter consultado um especialista, feito avaliações.“Ele tem dificuldade pra falar”, ou “ele enfileira os brinquedos”. Enfim, é preciso tomar muito cuidado com isso. Hoje tem muita gente que procura o “Doutor Google” e sai dizendo que o filho é autista.

O TEA é um dos transtornos que requerem maior minúcia em seu psicodiagnóstico, devido seu amplo espectro, e também para que não sejam confundidos com: Síndrome de Rett, Transtornos do Neurodesenvolvimento, Transtornos da Linguagem e Transtorno da Comunicação social (pragmática), Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, Transtorno do Movimento Estereotipado, Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade e Esquizofrenia.

Ufa! Muitas opções de diagnóstico diferencial! Fiz questão de citar todas elas pra você ter uma noção do quão leviano é simplesmente rotular uma criança como autista sem descartar antes todas essas hipóteses; e nesse caso indico até mesmo obter a confirmação de um diagnóstico fechado com pelo menos dois profissionais diferentes. Uma segunda e terceira opinião é de suma importância quando se suspeita do TEA.

Retornando aos sintomas para finalizar, vou listar os principais, e lembre-se cada caso é um caso e precisa ser analisado profissionalmente. Esteja atento aos seguintes sinais:

Em bebês:

  • Baixo contato ocular;
  • Dificuldade de manter o olhar sustentado;
  • Não responder ao nome;
  • Não aceitar toque;
  • Interesses pouco usuais;
  • Grande desconforto com sons altos;
  • Não se voltar para sons no ambiente;
  • Apresentar maior interesse por objetos do que por pessoas;
  • Perder habilidades que já haviam sido adquiridas, como balbucio.

Em crianças:

  • Crises de choro e de riso sem razão aparente;
  • Avesso às mudanças;
  • Evita o contato físico;
  • É muito passivo ou hiperativo;
  • Possui os sentidos sensoriais (audição, tato, olfato, paladar) ampliados ou diminuídos;
  • Indiferença à interação humana;
  • Ausência de medo em situações perigosas;
  • Comportamentos repetitivos.

Cerca de 70% das pessoas com TEA podem ter também outro transtorno mental, e 40% podem ter dois ou mais transtornos mentais comórbidos, sendo o TDHA, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, uma das comorbidades mais comuns numa criança com TEA, e é justamente sobre o TDHA que iremos conversar semana que vem. Continue conosco navegando na psicologia.

Até breve.

Syrsjane N. Cordeiro

Psicóloga pelo UNASP – SP, Especialista em Saúde Mental. Já atuou como psicóloga na prevenção e promoção de saúde na atenção básica (2014); na prevenção e promoção de saúde indígena no Alto Rio Solimões (2015); atuou também na área da assistência social, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).


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