Fotos – Ingrid Anne / HCM
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Diagnosticada com câncer de mama, a aposentada Maria das Graças da Costa Oliveira, de 72 anos, precisou dar uma pausa na quimioterapia para enfrentar outra batalha: a doença causada pelo novo coronavírus. Foram sete dias de internação no hospital de campanha municipal Gilberto Novaes, na zona Norte, para, enfim, soltar o grito: “Eu venci a Covid-19!”.

Maria das Graças está entre os pacientes que se trataram na unidade – administrada pela Prefeitura de Manaus, em parceria com o grupo Samel e o instituto Transire – e retornaram a seus lares nesta semana. Ao todo, mais de 470 altas médicas foram concedidas no hospital de campanha em 54 dias de funcionamento.

Para o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, o hospital tem mostrado a que veio ao permitir o retorno de tantos pacientes a suas famílias. “É a soma dos esforços de toda a equipe que está ali envolvida diariamente, desde serviços gerais a enfermeiros e médicos, verdadeiros guerreiros nesta batalha contra um inimigo invisível”, ressaltou.

Comemoração

Sem esconder a emoção, Maria das Graças saiu pelo corredor do hospital, sob aplausos e cantando louvores, feliz por encerrar o tratamento hospitalar no dia do aniversário de 51 anos da filha Dina Oliveira, a terceira de nove irmãos. “É o meu presente para ela”, declarou a paciente.

A aposentada agradeceu o tratamento recebido por toda a equipe de profissionais do hospital, assim como Dina, que pôde comemorar mais um ano de vida, com o seu bem mais precioso ao lado, a mãe. “O presente que pedi ao Senhor era a saúde da minha mãe restabelecida. E agora ela sai daqui curada”, afirmou.

Segundo Dina, a família descobriu o câncer de Maria das Graças há um ano e meio. Depois de todos os exames necessários, foi realizado o pré-operatório para retirada das mamas. Contudo, em janeiro deste ano, foi necessário dar início ao tratamento com a quimioterapia, após o diagnóstico de que o tumor havia produzido metástase, ou seja, invadido células sadias e se espalhado para outros órgãos do corpo, mais precisamente o pulmão. “Quando veio esta pandemia, nós ficamos com bastante medo dela pegar a doença, justamente porque o pulmão já estava debilitado. Até que ela começou a sentir todos os sintomas da Covid-19”, explicou a filha.

Dina comentou que a família já tinha o hospital de campanha como referência, por isso, embora relutantes com a ideia da internação da mãe, acreditaram no tratamento oferecido. “Ela estava com 50% do pulmão comprometido. Ficamos com muito medo, mas temos um Deus de milagre e ela saiu curada”, destacou, ressaltando que, no próximo dia 26, reiniciam as consultas para Maria das Graças voltar ao tratamento de quimioterapia.

Coordenador do hospital de campanha e diretor do grupo Samel, Ricardo Nicolau afirmou que é bastante gratificante vivenciar tantas histórias de superação. “Já tivemos altas de uma senhora idosa com 96 anos, de uma indígena possivelmente centenária, de pacientes especiais, incluindo uma com síndrome de Down, e de pacientes obesos, com grau de comprometimento pulmonar acima dos 50%. A maior recompensa para nós é quando o paciente passa pelo corredor da vitória, sai pela porta da frente do hospital e reencontra a família, curado da Covid-19. Isso é motivo de muita comemoração entre todos, que trabalhamos na área da saúde, porque é a vitória da vida”, pontuou Ricardo.

Apesar de ser de campanha, o hospital opera com alta complexidade, dispondo de 180 leitos ativos – dos quais 39 destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – uma sala de tomografia computadorizada e um laboratório de análises clínicas com funcionamento 24 horas.


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