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Um dia após o depoimento do padre de 60 anos à Polícia Civil, nessa segunda-feira (8), o pai da imigrante venezuelana de 29 anos que acusa o líder religioso de estupro também se posicionou. Em contato com a reportagem do Portal A Crítica, Israel Álvarez de Jesus reafirmou que a filha foi abusada sexualmente pelo padre e que, segundo ele, o sacerdote se aproveitou da enfermidade dela para cometer os atos.

A mulher denunciou ter sido estuprada pelo padre da Arquidiocese Militar de Manaus em ao menos três vezes. Segundo ela, que fez a denúncia na última quarta-feira (3), durante os crimes, o sacerdote dizia que ela seria curada da doença e que ele gritava na hora de ejacular: “Deus te ama!”.

Segundo o pai da vítima, o padre possuía pleno conhecimento do quadro de saúde da filha, já que ele teria ido várias vezes ao Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, visitá-la. Para Israel, o padre utilizava como pretexto o argumento de levar a unção dos enfermos, apresentando a sua credencial de sacerdote à unidade hospitalar para ganhar permissão de entrada.

“Em sua declaração, ele (o padre) diz que a relação sexual foi consentida, mas ele esquece que é impossível uma pessoa com quadro crônico de dor na lombar e que estava recebendo medicamentos como morfina aceitar com gosto ter relações sexuais consentidas. A minha filha tem síndrome de Asperger (transtorno de espectro autista), diagnóstico de linfoma com metástase óssea e encontra-se incapacitada”, disse Israel.

Conforme o pai, ele e a filha chegaram a Manaus no dia 28 de abril como solicitantes de refúgio. Alguns dias depois, foram encaminhados a uma casa de abrigo localizada no bairro Santo Antônio, Zona Oeste da capital, onde, segundo o pai da vítima, o padre apareceu buscando pessoas para trabalhos de limpeza em sua casa, localizada em um conjunto residencial na Zona Centro-Sul.

“Ali foi onde ele (o padre) começou a seduzir a minha filha, com o objetivo de manter relações sexuais com ela. Relações estas que ele mesmo confessou perante a delegada de polícia, ainda quando minha filha havia entregado duas peças íntimas que continham o sêmen do padre”, pontuou.

Ainda segundo Israel, o dinheiro que o padre entregou a mulher, teria sido por meio de uma doação solidária da arquidiocese de Manaus, mas que o padre deu coagindo a vítima para que ela fosse embora do Brasil.

“Ele entregou em tom de ameaça, dizendo que ele era um coronel do Exército e que poderia nos retirar do país mesmo que estivéssemos sob a proteção do status de refugiado”, destacou o pai da vítima.

“Solicitamos uma Justiça imparcial neste caso onde a declaração deste senhor desdenha da base moral da Igreja Católica e da autoridade de seus ministros. A confissão de que ele sendo um sacerdote ter faltado com um de seus principais deveres, como é o celibato, o coloca na posição de uma pessoa imoral perante a igreja e os fiéis”, concluiu.

Na sexta-feira passada (5), a Arquidiocese de Manaus suspendeu as atividades do padre. Segundo a assessoria de imprensa da Arquidiocese, isso significa que o Pe. não pode atuar, temporariamente, no cargo eclesiástico.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas. Segundo a delegada Déborah Barreiros, do 5º Distrito Integrado de Polícia (DIP), local onde o padre acusado prestou depoimento na tarde de segunda-feira (8), foi pedido exame de DNA para comprovar o envolvimento dos dois.

Quando comprovado o envolvimento, eles vão ser ouvidos novamente. Enquanto isso, os policiais irão ouvir testemunhas, analisar imagens de câmeras de segurança e mensagens que os dois trocaram pelo celular. A investigação deve durar 30 dias. (Com informações de A Crítica)


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