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Como forma de expandir a conscientização e promover o debate sobre a doença de Parkinson,  o que significa conviver com o transtorno, tanto para o paciente quanto para os familiares, dia 4 de abril é marcado como o Dia Nacional do Parkinsoniano e no dia 11 deste mês é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson.

O Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. “A doença possui envolvimento predominantemente motor (como lentificação, tremor de repouso e comprometimento do equilíbrio), podendo, em alguns casos, levar a uma incapacidade física significativa. Existem, além dos sintomas motores, inúmeros sintomas não motores, os quais podem preceder o início da doença em até 10 anos: distúrbios de sono,  alterações de paladar e olfato, depressão, entre outros. Isso acontece porque a doença vai alterando e corrompendo o sistema nervoso central, fazendo com que a transmissão de mensagens entre as células nervosas seja comprometida”, explica a neurologista do Hapvida Saúde, Julianne Tannous Cordenonssi.

Isso acontece porque ocorre uma diminuição intensa da produção de dopamina – neurotransmissor que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas do cérebro. “A dopamina participa do processo de realização dos movimentos do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam. Na falta dela, o controle motor do indivíduo é prejudicado”, detalha a neurologista.

De acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (ONU), aproximadamente, 4 milhões de pessoas no mundo são portadoras da doença. Com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população, esse número pode dobrar até 2040.

Sintomas

A especialista esclarece que os principais sintomas da doença de Parkinson são os “sintomas motores”, como a lentidão motora, rigidez muscular, o tremor de repouso e alteração da postura/ marcha (resultando em desequilíbrio). Também podem ocorrer “sintomas não-motores”, como diminuição do olfato, alterações intestinais (como constipação intestinal) e do sono, além de depressão e hipotensão postural.

“O tremor da doença de Parkinson é característico. Ele é chamado de tremor de repouso, ou seja, é mais evidente ou exclusivo quando a mão do paciente está parada, seja em repouso quando o paciente está sentado ou quando ele está em pé com os braços relaxados. Quando o paciente executa algum movimento a tendência do tremor é diminuir ou desaparecer”, afirma Dra. Julianne.

No entanto, a médica alerta que nem todos os pacientes com doença de Parkinson apresentam tremor clássico. Na fase inicial o tremor pode ser intermitente. Alguns pacientes podem apresentar tremor postural e de ação, fino nas mãos e com frequência mais alta. De maneira geral, os pacientes apresentam predomínio dos sintomas, além da assimetria ser uma importante característica.

Tratamento

A especialista explica que a doença de Parkinson é tratável e geralmente seus sinais e sintomas respondem de forma satisfatória às medicações existentes. “Esses medicamentos repõem parcialmente a dopamina que está faltando e, desse modo, melhoram os sintomas da doença. Por isso, devem ser usados por toda a vida da pessoa que apresenta tal enfermidade. Ainda não existem drogas disponíveis comercialmente que possam curar ou evitar de forma efetiva a progressão da degeneração de células nervosas que causam a doença”, esclarece Dra. Julianne.

No entanto, existem diversos tipos de medicamentos disponíveis, que devem ser usados em combinações adequadas para cada paciente e fase de evolução da doença, garantindo melhor qualidade de vida e independência ao paciente com Doença de Parkinson.

Os sintomas não motores devem ser avaliados quanto à necessidade de tratamento. Em alguns pacientes com depressão, o tratamento medicamentoso faz-se necessário. Além disso, pacientes com comprometimento cognitivo e alterações comportamentais também podem se beneficiar de medicações.

Outra possibilidade terapêutica atualmente é a cirurgia para implantação de estimulador cerebral profundo (também conhecido como DBS). Sua indicação é mais restrita e deve ser avaliada pelo médico responsável individualmente.

O processo de tratamento não-medicamentoso com uma equipe multidisciplinar é amplamente recomendado, o qual pode envolver fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional,  além de suporte psicológico e nutricional. O objetivo é melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo o prejuízo funcional decorrente da doença, permitindo que o paciente tenha uma vida independente por muitos anos.


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