Foto: André Borges/Esp. Metrópoles
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Após 59 anos de história, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) tem a primeira mulher negra a vestir a toga de desembargadora. Nascida em Arraias (TO), cidade do interior, de família humilde, formada pela rede pública de ensino municipal, filha de pai professor e mãe dona de casa, Maria Ivatônia Barbosa dos Santos passou a compor o Pleno da Corte e atuará nas decisões de segunda instância.

Mas a vida dedicada aos estudos e à carreira de servidora do Estado não fizeram a magistrada e ex-delegada da Polícia Civil de Goiás evitar situações enfrentadas por boa parte da população do país: o racismo e o preconceito social.

“O racismo, que nós teimamos em não entender e não aceitar, é disfarçado. Sempre pensam que nós, negras, somos empregadas. No caso dos homens, pensam que são motoristas ou seguranças”, afirmou ao Metrópoles.

Nesta semana de Dezembro, Maria Ivatônia foi promovida do cargo de juíza de direito substituta de 2º grau ao de desembargadora, em cerimônia conduzida pelo presidente do TJDFT, Romão Cícero de Oliveira.

Reconhecida pelo trabalho, pela formação, competência e seriedade dentro da Corte, a magistrada relatou que até hoje passa por momentos de discriminação, e que negar a existência do racismo é o mesmo que reforçá-lo.

Quando morava no interior do Tocantins, ainda pequena e na família com sete irmãos, Maria Ivatônia não sabia o que era preconceito. As primeiras situações de discriminação ocorreram quando se mudou para Goiânia, onde cursou o ensino superior. “Na cidade grande você percebe [o racismo]”, disse.


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