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O Centro de Reabilitação da Policlínica Antônio Aleixo, unidade da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), deu início, na quarta-feira (21/08), à implantação das técnicas de Pediasuit na rotina de tratamento de pacientes.

É a primeira vez que as técnicas do método inovador são utilizadas na rede pública de saúde no Brasil. Na mesma ocasião, 90 pares de calçados anatômicos adaptados foram entregues aos pacientes da unidade, localizada na Colônia Antônio Aleixo, zona leste de Manaus.

O moderno método Pediasuit é utilizado no tratamento de pessoas com distúrbios neurológicos, como paralisia cerebral, microcefalia e outras condições que afetam as funções motoras e cognitivas. Mensalmente, o Centro de Reabilitação atende 397 pessoas, sendo 45 com microcefalia causada pela zika.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, a experiência chega como um projeto-piloto, cujos resultados servirão de base para o desenvolvimento de um programa mais amplo da utilização da  técnica na rede pública.

“Hoje é um momento de muita alegria aqui no Centro de Reabilitação, porque a gente inaugura o primeiro serviço estadual de PediaSuit do Brasil. Em outros estados, é um serviço privado ou feito em parceria com Apae. É uma técnica específica para tratamento de pacientes neurológicos que tenta devolver, com apoio tecnológico, a qualidade de vida de pacientes”, afirmou o secretário

Fazendo acompanhamento na unidade desde os dois meses de idade, a pequena Laura Zenaide, 3 anos, foi a primeira paciente a experimentar a nova técnica, nesta quarta-feira. “É muito emocionante. Foi a primeira vez que vi minha filha em pé, retinha, sustentando cabeça”, disse Sabrina Barbosa, mãe de Laura. A criança foi a primeira notificação de microcefalia causada pelo zika vírus do Amazonas.

A secretária executiva de saúde da capital da Susam, Dayana Mejia de Sousa, que também é fisioterapeuta, ressaltou a importância de trazer a técnica para o Amazonas. “É uma inovação importante para avançarmos em nossos métodos de reabilitação. É mais um recursos que vamos poder usar aqui no CER”, disse Dayana Sousa.

Parceria – A implantação do método está sendo possível a partir de uma doação. Os materiais como colete, touca, shorts, joelheiras, calçados e o sistema de elásticos ajustáveis, posicionados para reproduzir a musculatura, que funciona como uma estrutura elástica externa, foram adquiridos pelo Estado. Os itens, que juntos são chamados de “Suit”, ficam posicionados em uma espécie de gaiola, chamada de “Spider”.

O “Spider” ou “Gaiola” foi doado à instituição por um pai de um adolescente de Fortaleza que tem distrofia muscular de Duchenne. “Estamos muito felizes em oferecer esse recurso, que até mesmo os planos de saúde têm dificuldade em oferecer no Brasil todo”, celebrou o diretor da unidade, José César de Carvalho, que intermediou a doação.

A fisioterapeuta neuroinfantil do Centro de Reabilitação, Cristiana Gomes, disse que o programa de exercícios do Pediasuit estimula o desenvolvimento da criança e do adulto. O método, segundo ela, melhora até mesmo a imunidade dos pacientes.

Treinamento – A implantação das técnicas está sendo possível também devido à capacidade técnica da fisioterapeuta. Cristiana Gomes foi treinada por uma equipe da Therapies 4 Kids, dos Estados Unidos, para trabalhar a nova técnica e disse que o PediaSuit utiliza diversas ferramentas que contribuem para a qualidade de vida do paciente. “A órtese mole, chamada Suit estimula os músculos e ajuda na percepção de espaço do paciente”, explicou ela.

Já o Spider, como é chamada a gaiola, é usado para aumentar a capacidade de isolar os movimentos desejados e fortalecer os grupos musculares responsáveis por eles. De acordo com a fisioterapeuta, a gaiola permite ganho de amplitude de movimento, de força muscular e flexibilidade das articulações.

“É mais um recurso terapêutico. A criança não deixa de fazer a fisioterapia dela. Ela vai fazer mais um recurso que auxilia ainda mais na evolução dela. Quando a criança faz o PediaSuit, ela tem uma evolução muito grande, tem oportunidade de ir para escola.”

A partir deste mês de agosto, o serviço começa a ser oferecido aos pacientes que passam pelo acompanhamento do Centro de Reabilitação. “Mas esses pacientes precisam ter elegibilidade, ou seja, preencherem os critérios necessários para a terapia, que serão indicados na avaliação multiprofissional”, ressalta o diretor.


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