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Diariamente, o corpo humano se expõe a um número grande de doenças classificadas como “infectocontagiosas”. São assim conhecidas porque possuem alto grau de contágio e proliferação. A característica comum desse grupo de doenças é que todas elas são causadas por quatro tipos de micro-organismos: vírus, bactérias, protozoários e fungos.

Para proteger o corpo humano contra elas, há dois tipos de barreiras: a natural, representada pelo sistema imunológico humano; e as artificiais, representadas pelas drogas e vacinas. Na verdade, as drogas e vacinas ajudam o sistema imunológico a lutarem contra as doenças infectocontagiosas. As vacinas aumentam a capacidade de o sistema de matar o agente transmissor. As drogas, por sua vez, atuam sobre o próprio agente transmissor, impedindo-o de danificar as estruturas internas do corpo. São duas frentes de combate. Em outras palavras: enquanto as vacinas impedem que você fique doente; as drogas, embora não tenham essa capacidade, ajudam o doente a se recuperar mais rapidamente, alcançando a cura.

Há um grupo de doenças infectocontagiosas que já possuem vacinas. Sarampo, febre amarela e tuberculose estão entre elas. Se, contudo, alguém vir a ser infectado por alguma delas, existe uma segunda barreira protetora: as drogas para o tratamento dos infectados. Além disso, o próprio sistema imunológico humano ajuda no combate aos vírus, bactérias, fungos e protozoários.

Portanto, contra esse grupo de doenças o organismo humano possui TRIPLA PROTEÇÃO: as vacinas, as drogas e o sistema imunológico.

Há, contudo, outro grupo de doenças infectocontagiosas que não possui ainda vacina para impedir que o organismo adoeça. Aids, Hanseníase, Hepatite C, Malária e Sífilis ocupam esse grupo. No entanto, a boa notícia é que existem drogas para combatê-las. A cloroquina, por exemplo, é a droga indicada no tratamento da malária. Contra a Aids existem 22 tipos de drogas, dentre as quais Abacavir (ABC), Didanosina (ddI), Lamivudina (3TC), Tenofovir (TDF) e Zidovudina (AZT). No tratamento da Hepatite C é usado o sofosbuvir, com bons resultados. Para os indivíduos acometidos de sífiles a penicilina benzatina é recomendada no tratamento. Também aqui o sistema imunológico atua como uma segunda e importante barreira natural.

Com efeito, o organismo humano possui DUPLA PROTEÇÃO contra esse grupo de doenças: as drogas e o sistema imunológico.

Por fim, existe ainda uma terceira família de doenças infectocontagiosas que não contam com nenhuma droga e/ou vacina para proteger o organismo humano contra os agentes patológicos. É o caso típico da Covid-19. Em relação a ela NÃO HÁ DROGA E NEM VACINA. O sistema imunológico humano tem que se virar sozinho. Ele  É A ÚNICA CAPA PROTETORA do organismo humano.

Por isso o ISOLAMENTO SOCIAL É MUITO IMPORTANE. A medida atua como uma  PROTEÇÃO ADICIONAL para o organismo, reduzindo as possibilidades de contágio.

Ora, pessoas com sistemas imunológicos deficientes ou vulneráveis tornam-se, portanto, mais frágeis que as demais. AQUI NASCE O GRUPO DE RISCO. Os idosos, em primeiro lugar; juntamente com portadores de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, indivíduos submetidos a tratamentos contra o câncer, dentre outros.

Evidentemente que as pessoas que não fazem parte desse grupo também só dispõe de seus sistemas imunológicos para lutarem contra o vírus. Acontece que por serem indivíduos mais jovens ou mais saudáveis, suas defesas naturais – representadas aqui pelos leucócitos – têm mais vigor para combater o vírus sozinhas, ante à ausência de drogas ou vacinas  para auxiliá-las. No entanto, um sistema imunológico robusto não é garantia de sucesso. É por isso que muitos indivíduos desse grupo têm vindo a óbito. Nessa roleta russa, É IMPOSSÍVEL GARANTIR QUE AS DEFESAS NATURAIS DESSES INDIVÍDUOS SAIAM VITORIOSAS.

Por último, há, ainda, um argumento que muitas pessoas recorrem para sustentar um possível exagero na preocupação com a Covid-19.

Alguns dizem: “Mas a Tuberculose ou a Hepatice-C matam muito mais do que o novo coronavírus e ninguém nunca falou nada!”.

Afirmações dessa natureza têm que ser tomadas com reservas.

Como disse, contra o novo Coronarírus o organismo humano só pode contar com apenas uma camada protetora (o sistema imunológico), diferentemente das demais doenças infectocontagiosas que contam, algumas delas, com uma tripla camada; e outras, com duplas camadas protetoras. Aí já reside um grande diferencial.

Não bastasse isso, há mais dois outros componentes altamente letais reunidos no novo Coronavírus: o elevadíssimo grau de contágio e a rápido lesão causada por ele nos pulmões. Em outras palavras: enquanto o vírus da tuberculose demora a agir dentro do organismo, isto é, demora a produzir lesões o que, aliás, é um ótimo aliado no tratamento do paciente já haverá tempo para as autoridades médicas agirem; o novo Coronavírus age muito rápido. Basta alguns dias para ele produzir estragos profundos no sistema pulmonar humano, com ramificações para outros órgãos importantes como o coração e os rins.

Quanto às altas taxas de mortalidades das demais patologias infectocontagiosas, a explicação é relativamente simples.

Nenhuma droga garante que 100% dos pacientes tratados irão ser curados. O que há é uma PROBABILIDADE MAIOR DE SUCESSO NO TRATAMENTO. Mas certeza não há. Não há porque a cura também passa pelas condições clínicas de cada paciente. Alguns indivíduos podem apresentar doenças paralelas que reduzem a eficácia do tratamento. As condições clínicas, portanto, de cada indivíduo é que farão a diferença nos tratamentos. E mesmo indivíduos que aparentemente não apresentem patologias paralelas podem não responder às drogas vindo a óbito. Isso acontece porque o organismo humano é extremamente complexo. Sua estrutura, funcionamento e condições gerais variam de pessoa para pessoa.

Por outro lado, muitas pessoas não colaboram com o tratamento. Alguns o abandonam ou não tomam a medicação como prescrito pelo médico ou, ainda, até tomam, mas esquecem de tomar algumas vezes.

Todos esses fatores em conjunto explicam a taxa de mortalidade de muitas patologias, apesar de contarem com drogas potentes na recuperação do paciente.

Ademais, os números são gerados naturalmente pela lei da probabilidade.

Como disse, não há como assegurar que todos os tratamentos por drogas será 100% eficaz. Assim como não há como garantir que um paciente submetido a uma simples cirurgia de vesícula não venha a óbito durante a intervenção cirúrgica; muito embora apresentasse excelentes condições clínicas.

Grosso modo, isso equivale às perdas nos processos produtivos das indústrias.

Um alfaiate, ao fabricar uma camisa ou um termo, não aplicará 100% dos tecidos comprados para sua fabricação. Uma parte do tecido se perderá, naturalmente. Ela é inerente ao processo produtivo. Guardadas as devidas proporções, o mesmo acontece no tratamento de um paciente. Não há como garantir que 100% deles alcançarão a cura por meio das drogas disponíveis. Nesse caso, infelizmente os óbitos poderão decorrer da própria trajetória do tratamento.

Outro fator importante é o tempo de convívio da humanidade com cada agente patológico.

O bacilo da tuberculose, por exemplo, foi descoberto em 1882. Lá se vão cento e poucos anos. O convívio com o novo Coronavírus é muito recente. Tem pouco mais de 3 meses. Mas com apenas três meses já mostrou a força de seu veneno.

O que quero dizer é que, quanto mais tempo de contato tiverem novos humanos com um vírus, tanto mais a probabilidade de indivíduos morrerem em decorrência dele. Isso dependerá, contudo, da descoberta de drogas e vacinas eficazes, além, é claro, da pronta disponibilidade dessas vacinas e drogas às populações.

ALIPIO REIS FIRMO FILHO

Conselheiro Substituto – TCE/AM  e Doutorando em Gestão


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