Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Entre janeiro e 25 de agosto deste ano, o município de Manaus registrou 49 casos novos de hanseníase e a Prefeitura de Manaus iniciou reforço no trabalho de busca ativa para resgatar os casos de abandono e atraso no tratamento da doença, e para realizar o exame de pele nos contatos intradomiciliares e sociais do paciente.

Segundo a chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), enfermeira Ingrid Santos, o objetivo é identificar as causas do abandono e atraso no tratamento, orientando para a retomada do tratamento, e garantir que os contatos sejam examinados para detecção precoce da doença.

“Por causa da pandemia da Covid-19, muitas pessoas deixaram de procurar os serviços de saúde pelo risco de transmissão do novo coronavírus, o que resultou em uma redução na notificação de casos novos de hanseníase. Agora, com a estabilização nos casos de Covid-19, as equipes de saúde estão reforçando o trabalho de busca ativa e de visitas aos domicílios como forma de agilizar a retomada ao tratamento e das ações de detecção precoce”, explica Ingrid.

A hanseníase é uma doença causada por uma bactéria chamada bacilo de Hansen e pode ser transmitida quando uma pessoa doente elimina o bacilo por meio de saliva, secreções nasais, tosse ou espirro, infectando outras pessoas, a partir de contato prolongado e próximo, o que pode ocorrer dentro de casa ou no ambiente de trabalho. Por isso, é importante examinar todos os contatos do paciente e fazer o acompanhamento anual por um período de pelo menos cinco anos, já que a fase inicial dos sintomas ocorre entre dois a sete anos a partir da contaminação.

“A Semsa registrou este ano um aumento significativo de pacientes em atraso no tratamento e que não estão fazendo o acompanhamento nos ambulatórios na data recomendada. Além disso, do total de contatos familiares e sociais de pacientes notificados entre 2018 e 27 de julho deste ano, apenas 27% procuraram um serviço de saúde para realizar exames e fazer o acompanhamento médico, o que indica uma provável subnotificação de casos”, alerta Ingrid.

Para o acompanhamento dos contatos familiares e sociais, a Semsa realiza monitoramento inicial por telefone para avaliar o motivo pelo qual não houve a procura pelo serviço de saúde e, quando necessário, as equipes também organizam a oferta do exame de pele em domicílio.

“Como exemplo registramos casos em que sete contatos de um paciente em uma mesma residência precisavam fazer a avaliação, mas a família não tinha recurso para o transporte. Nesse tipo de situação a Semsa faz a intervenção providenciando o envio da equipe para realizar o primeiro exame dermatológico em domicílio”, explica Ingrid Santos.

Sequelas

A hanseníase tem cura e o tratamento medicamentoso dura de seis meses até um ano. Mas, o desafio nos serviços de saúde é pelo diagnóstico precoce da doença para evitar sequelas graves, considerando que a demora no tratamento pode fazer com que o paciente tenha deformidades físicas nas mãos ou nos pés, nos olhos, causando dificuldades e limitações para o resto da vida, impedindo a pessoa de ter suas atividades normais.

Dos 49 novos casos de hanseníase em 2020, 13,64% dos pacientes já apresentavam sequelas graves no momento do diagnóstico. “Nesse sentido, o trabalho de Educação em Saúde e Educação Permanente da Semsa tem como foco a orientação da população para o autoexame e dos profissionais de saúde para a suspeita de um possível caso da doença no atendimento clínico, garantindo um diagnóstico e tratamento precoce, o que vai impedir o avanço da doença, evitando sequelas e interrompendo a cadeia de transmissão”, informa a enfermeira.

Sintomas

A fase inicial dos sintomas da hanseníase ocorre entre dois a sete anos a partir da contaminação, e muitas vezes não são identificados pela população: manchas avermelhadas, esbranquiçada, amarronzadas; diminuição ou ausência de sensibilidade (manchas dormentes); queda ou diminuição dos pelos e ausência ou diminuição do suor, entre outros.

Em 2019, o município de Manaus notificou 128 casos novos de hanseníase, com uma taxa de detecção geral de 5.85/100 mil habitantes, sendo oito casos novos em menores de 15 anos, com uma taxa de detecção de 1.33/100 mil habitantes, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Ministério da Saúde).

Segundo Ingrid Santos, a detecção de hanseníase em menores de 15 anos indica uma transmissão ativa e recente da infecção domiciliar ou escolar, comprometendo sua escolarização, com um baixo rendimento escolar e até o abandono dos estudos por motivos de tratamento, discriminação e preconceito.

“Uma das estratégias da Semsa é a intensificação da oferta de exames de pele nas escolas e que foi iniciada no ano passado. Na primeira etapa, foram acessadas 173 escolas, superando a meta programada com a realização de 37.944 exames de pele, equivalente a 118,76%. Nas pessoas examinadas não foram identificados casos de hanseníase, somente dermatoses básicas que foram diagnosticadas e acompanhadas pelo médico”, explicou a enfermeira.

A Semsa pretende retomar as atividades nas escolas assim que a pandemia da Covid-19 estiver sob maior controle, seguindo as recomendações vigentes.


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •