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Em meio à reabertura de atividades econômicas e flexibilização das medidas de isolamento social de combate à pandemia da covid-19 pelo País, as pequenas empresas brasileiras têm enfrentado mais dificuldades de sustentar seus negócios.

Entre as 3,2 milhões de empresas em funcionamento na primeira quinzena de agosto, 38,6% informaram terem sido afetadas negativamente pela pandemia, segundo os dados da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, que integram as Estatísticas Experimentais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os efeitos negativos foram percebidos por 38,8% das empresas de pequeno porte, enquanto que essa fatia de prejudicadas desceu a 28,4% entre as intermediárias e 25,5% entre as grandes empresas.

Os resultados da pesquisa são bastante influenciados pelo desempenho das pequenas empresas, porque o cadastro que dá origem à amostra é composto por um grande número de empresas de menor porte, ou seja, os pequenos negócios são mais numerosos na economia.

“Obviamente as pequenas empresas têm menos capacidade de diversificar suas receitas. Elas têm mais dificuldade que a grandes empresas, não só ao longo da quarentena, mas em relação ao período que a gente tem observado de retomada da atividade”, disse Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

O pesquisador lembra que os pequenos empresários têm mais dificuldade de reposição de estoques para reabrir os estabelecimentos fechados pela pandemia, mas também enfrentam desafios como restrições à ocupação do espaço da loja, depois da reabertura.

Segundo Magheli, vem aumentando a incidência de queixas sobre o acesso a insumos e fornecedores, especialmente no varejo. Ao mesmo tempo, construção e comércio têm maior prevalência de empresas com dificuldade de realizar pagamentos de rotina.

Para Alessandro Pinheiro, coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE, a pandemia causou nas primeiras semanas um problema de demanda, mas agora há um entrave de oferta.

“Agora, efeitos que mais se destacam são justamente em relação à cadeia de suprimentos. Os serviços não acusam muito esses efeitos por conta de sua natureza de não depender muito fornecedor. O problema é mais latente e atinge principalmente os setores mais frágeis nessa relação da cadeia, atinge mais o comércio varejista e a construção civil”, apontou Pinheiro.

Segundo ele, a dificuldade de acesso a insumos e matérias-primas pode estar relacionada à dificuldade de pagamento de mercadorias, o que resulta em uma “quebra no relacionamento” de empresários e fornecedores, dificultando uma recomposição de estoques. “Temos visto problemas de falta de mercadorias”, afirmou Pinheiro.

A pandemia do novo coronavírus provocou uma queda nas vendas ou serviços comercializados em 36,1% das empresas em funcionamento no País na primeira quinzena de agosto. Entre os setores, 44,5% das empresas de comércio tiveram redução nas vendas, com destaque para os segmentos de comércio varejista (48,9%) e comércio de veículos, peças e motocicletas (43,7%).

A queda nas vendas foi mais sentida entre as pequenas empresas. Entre as grandes empresas, 80,4% declararam efeito nulo ou aumento nas vendas, enquanto apenas 16,8% sinalizaram percepção de diminuição. Nas empresas de menor porte, 63,7% sinalizaram efeito nulo ou avanço nas vendas, enquanto 36,3% sinalizaram percepção de diminuição.

Na primeira quinzena de agosto, 33,7% das empresas em funcionamento tiveram dificuldade na sua capacidade de fabricar produtos ou atender clientes, ao mesmo tempo em que 47,6% relataram problemas para acessar fornecedores. As queixas se refletem também na geração de receita e caixa: cerca de 44,9% das empresas em funcionamento reportaram dificuldades em realizar pagamentos de rotina na primeira quinzena de agosto.

Houve redução no quadro de funcionários de 277 mil empresas na primeira quinzena de agosto em relação à quinzena anterior. Entre as empresas em funcionamento, 32,3% mantiveram funcionários em trabalho remoto, e 15,3% anteciparam férias dos empregados.

Entre as companhias em atividade, 32% adiaram o pagamento de impostos e 10,9% conseguiram uma linha de crédito emergencial para o pagamento da folha salarial. Na primeira quinzena de agosto, 23% das empresas afirmaram que foram apoiadas pela autoridade governamental na adoção de medidas emergenciais contra a pandemia. Entre as grandes empresas, esse porcentual subia a 38,6%, mas descia a 22,8% entre as pequenas empresas.

“A percepção de apoio governamental aumenta na medida em que se eleva o porte das empresas”, lembrou Magheli. (Estadão)


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