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Uma das primeiras lições que todo estudante de Philosophia aprende na faculdade é essa: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. E o que isso significa? Como explicá-la para os não iniciados na arte do pensamento?

Em primeiro lugar, você precisa saber que em toda profissão, do jornalista ao professor, do religioso ao político, existem excelentes e maus profissionais. Em segundo lugar, o bom profissional respeita as leis com exatidão e rigor ético, dignificando, assim, a profissão que exerce.

Em terceiro lugar, o mau, feito por “profissionais”, deturpa e manipula fatos e situações, próprio de uma pessoa sem caráter, jogando na sarjeta, muitas vezes, profissões e profissionais que outrora eram vistos como sem máculas.

Por exemplo, um jornalista que pensando apenas em ganhar leitores publica uma matéria sem chegar à fonte, ou um político que pensando apenas em ser eleito faz promessas aos seus eleitores que sabe que não vão ser cumpridas.

E como estamos cheios desses “profissionais”. São cada mentira que são ditas, para em seguida serem desditas. E nesse terreno, os políticos brasileiros deixam para trás todas as outras profissões.

Imagine você, amigo leitor, que o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, sugeriu aos colegas do governo aproveitar o foco da imprensa na crise do coronavírus para afrouxar o regramento ambiental e aprovar matérias de interesses deles.

Na ocasião, disse ele: “Precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura da imprensa, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas.”

À razão para o entendimento de que “todo político é corrupto” origina-se desse tipo de comportamento. Ou seja, esse tipo de comportamento, de uma certa maneira, acaba abodegando à imagem dos políticos.

Assim, a transparência impõe-se desde logo como imperativo ético, clarificando o caminho do profissional que busca e deseja a verdade. Somente o profissional ético, quem não aceita ser corrompido pelas ideologias do poder dominante, se manifesta contra toda forma de corrupção. O ditado popular “Quem cala consente” cai como uma luva nesse assunto.

Por isso, não é moralmente justificável alguém, principalmente um líder, que humilha, ofenda e degrada à integridade do outro, principalmente quando se é da mesma profissão, na partilha da vida e na convivência humana.

Quem não deseja ser compreendido naquilo que escreve, pensa, ensina ou fala? Temos a mais absoluta certeza de que o sucesso dessas empreitadas venha mesmo da citada frase acima: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”.

Dessa verdade indubitável da Philosophia ninguém pode escapar, ninguém pode negar. Quem tenta refutá-la ocorre num erro grave, na falta da verdade, ou na apresentação de apenas um lado da verdade. E o que é a verdade? A verdade nada mais é do que à comprovação dos fatos.

Somente o profissional orgulhoso, seja ele jornalista, professor, escritor, religioso ou político, nunca reconhece seus erros e sempre tenta justificar suas ações. Enfim, desconfie sempre daqueles que dizem: “Eu estou falando a verdade” e lembre-se de que: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”.

Luís Lemos

Filósofo, professor universitário e palestrante. Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2011), O homem religioso – A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas: Histórias do Universo Amazônico (2019). E-mail: [email protected]


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