Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

As forças de segurança venezuelanas estão se valendo de esquadrões da morte para assassinar jovens, além de falsificarem situações que deem a entender que as vítimas resistiram à prisão, disse a ONU em um relatório divulgado nesta quinta (4) pela chefe do Alto Comissariado para Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Números do governo mostraram que as mortes atribuídas a criminosos que resistiram à prisão totalizaram 5.287 no ano passado e 1.569 até 19 de maio deste ano, mas o relatório afirma que muitos destes casos parecem ser execuções extrajudiciais.

Familiares de 20 jovens descreveram como homens mascarados das Forças Especiais de Ação da Venezuela (FAES) chegaram em suas casas em caminhonetes pretas sem placas. Nos relatos, os esquadrões da morte invadem as residências, levam pertences e agridem mulheres e meninas, às vezes despindo-as até ficarem nuas.

“Eles separavam jovens de outros membros da família antes de atirar neles”, disse o comunicado.

Em todos os casos, testemunhas relataram como a FAES manipulou a cena do crime e as evidências. Eles ‘plantariam’ armas e drogas e disparariam suas armas contra as paredes ou no ar para sugerir um confronto e mostrar que a vítima resistiu à autoridade.

Segundo o documento, os assassinatos fazem parte de uma estratégia do governo Maduro para “neutralizar, reprimir e criminalizar adversários políticos e pessoas críticas ao governo”.

O relatório vem à tona apenas dias depois da morte do militar Rafael Acosta, que teria sido torturado até morrer pelas forças de Maduro.

Acosta estava detido desde quarta (26), por supostamente participar de um plano para depor o ditador. Ele teve uma audiência na sexta (28), na qual estava com a saúde debilitada e em cadeira de rodas. Seu estado seria o resultado de torturas, segundo acusações do líder opositor, Juan Guaidó, e de Waleska Perez, a mulher do militar. 

Acosta faleceu logo em seguida, e teve o óbito confirmado pelo governo venezuelano no domingo (30).

Na segunda (2), Bachelet disse estar “chocada” com a morte de Acosta e com o fato de que “seu tratamento na prisão pode ter sido a causa”. 

“Lembro às autoridades venezuelanas que elas são responsáveis pela vida e pela integridade física e psicológica de todas as pessoas privadas de liberdade”, completou.

Bachelet visitou Caracas em junho, ocasião na qual conversou tanto com o ditador Maduro quanto com o oposicionista Guaidó. A diplomata defendeu a libertação de opositores detidos pelo regime. O número chega a 800, de acordo com a ONG Foro Penal.

As forças de segurança da Venezuela, leais a Maduro, estão sob crescente escrutínio por detenções arbitrárias, condições desumanas de detentos e investigação inadequada de alegações de tortura.


Compartilhe
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •