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Veja – Quinze dos imigrantes retidos há 19 dias no navio da organização humanitária Open Arms se jogaram  no mar nesta terça-feira, 20, para alcançar nado o porto da ilha italiana de Lampedusa. A embarcação estava a cerca de 800 metros da embarcação, mas todos foram resgatados da água por socorristas.

A organização não-governamental espanhola Open Arms classificou a situação como “desesperadora” e “fora de controle”. “Nossos socorristas e a Guarda Costeira italiana estão tentando resgatá-los. A situação está fora de controle”, escreveu a ONG espanhola nas redes sociais, nas quais também postou um vídeo no qual é possível ver várias pessoas com coletes salva-vidas na água.

A situação do Open Arms ocorre dentro do olho do furacão que se tornou a política italiana. Em carta aberta ao ministro do Interior, Matteo Salvini, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, o criticou  pediu que fosse autorizado o desembarque de 27 menores desacompanhados que estavam no navio.  Líder do partido de extrema-direita Liga, Salvini, se diz “orgulhoso” de impedir o desembarque dos imigrantes no porto italiano.

Ainda na carta aberta, Conte disse que entrou em contato com os países europeus deforma informar e seis deles aceitaram receber os imigrantes, mas enquanto nenhum país se prontificava a ceder um porto para o desembarque, oito pessoas tiveram que ser evacuadas na madrugada de ontem para hoje porque necessitavam de “assistência médica urgente”.

“Os que não querem ver a situação insustentável a bordo são incapazes de sentir empatia pela dor alheia”, afirmou a ONG espanhola após informar sobre a evacuação autorizada.

Nesta terça-feira, Salvini provocou a renúncia de Conte, depois de ter rompido com o partido Movimento Cinco Estrelas, de extrema-direita.

Salvini havia proibido o Open Arms de entrar em águas italianas com os quase 150 imigrantes, quando a ONG espanhola entrou com uma ação em um tribunal, que decidiu a favor da embarcação. Apesar do navio ter entrado na costa italiana,  o ministro do Interior se recusou a autorizar o desembarque das pessoas à bordo mesmo depois de vários países, entre os quais a Espanha, terem se comprometido a recebê-los.

As autoridades portuárias estão realizando os resgates das pessoas que se lançam ao mar e as levam a terra firme, em respeito à Convenção de Hamburgo de 1979, que impõe a obrigação de resgatar e desembarcar as pessoas em alto mar em um porto seguro.

A maré da sorte começou a virar para a embarcação humanitária quando a Espanha ofereceu nesta terça-feira um porto para desembarcar os imigrantes e despachou um navio militar para escoltar o Open Arms, mas a tripulação e responsáveis da ONG alegam que depois de tantos dias e com uma grande tensão a bordo, não podem navegar com segurança com os migrantes amontoados em estado de grande agitação. O navio espanhol demorará três dias para chegar a Lampadeusa.

Desde que Salvini ascendeu ao cargo de ministro do Interior em 2018, a Itália vem se fechando cada vez mais para àqueles que fogem de seus países, muitas vezes mergulhados em violência e caos econômico, buscando uma nova vida. Uma legislação criada pelo ministro e aprovada no Parlamento, por exemplo, cria multas milionárias contra embarcações que entram em águas italianas sem autorização e possibilitando a apreensão.


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