Juiz Luís Carlos Valois. Foto: Raphael Alves/Tribunal de Justiça do Amazonas
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Fernando Henrique Cardoso, que não é juiz, Raquel Dodge, chefe da Procuradoria Geral da República, e um monte de “amados e amantes” da Lava Jato de Sérgio Moro e Daltan Dallagnol, à exemplo do ministro Luiz Barroso que, na segunda-feira (10), fez mesuras e “biquinhos” para defendê-la, foram unânimes em afirmar: “tempestade em copo d’água”, é normal juiz combinar com procurador sobre isso, sobre aquilo, enfim…

Resumindo: O criminoso de toda a história levada ao mundo jurídico e à sociedade em geral deste pequeno universo azul, pelo The Intercept, o site que colocou a nu a desfaçatez dos “super-heróis” da Lava Jato, é o hacker que chafurdou as contas e os curiosos bate-papos de Moro e de seu “fiel” escudeiro, Dallagnol.

“É normal juiz falar com delegado, policial, promotor. Não combinei nada”, dizia, trêmulo e acabrunhado, cercado de microfones, Sérgio Moro, numa desesperada tentativa de defender o indefensável.

Dallagnol foi menos despudorado e, com cara de “amélia arrependida”, fez um live com pomposidade, mostrado e revirado pela Globo, com tímida uma esfarrapada defesa da Lava Jato, comprometida em todas as suas facetas com o escândalo das conversas combinadas de  Moro com Dallagnol.

Enquanto isso, em Manaus…

Longe do furdunço político e jurídico, longe das paixões exacerbadas – não em favor da corrupção e sim de Moro e Dallagnol, que combinaram pôr Lula na Cadeia – um juiz que se limita tão somente em ser juiz e cumprir com o restrito cumprimento da lei, pensa diferente de todos aqueles que só veem crime na ousadia do hacker, que transformou a imagem forjada dos super-heróis, Moro e Dallagnol,  Franlkstein.

Esse juiz se chama Luiz Carlos Valois, autor das obras  “O direito penal da guerra às drogas” e “Sistema penitenciário do Amazonas: história, evolução, contexto atual” e indicado para o Prêmio Jabuti de Direito.

No dia 9 deste mês, no mesmo dia em que o The Intercept revelou o comportamento parcial do ex-juiz Moro e do procurador da República Dallagnol e as entranhas contaminadas e, agora, em estado de putrefação da Lava Jato, Luiz Carlos escreveu sem rodeios, sem o emprego pegajoso de palavras de efeitos, uma pequena história de sua experiência jurídica publicada em sua conta no Facebook que resume a farsa:

“Sempre achei que esse negócio de reunião de juiz e promotor para falar de processo é outra coisa, qualquer coisa, menos justiça”.

Leia texto na íntegra

Um dia um promotor entrou na minha sala e disse que queria falar sobre uma operação.

Eu não pensei duas vezes e perguntei: – Cadê o advogado?.

Ele: Que advogado?.

O advogado da pessoa contra a qual essa operação vai agir, porque esta não é uma sala de delegacia nem eu sou delegado, e se tem algo para se fazer nesse prédio é julgar pessoas, coisa que só dá para fazer com duas partes, além de mim, com um promotor e um advogado, pois, caso contrário, deixo de ser juiz e não sei nem no que eu me transformo.

Ele abaixou a cabeça e saiu dizendo que ia fazer o pedido por escrito.

Sempre achei que esse negócio de reunião de juiz e promotor para falar de processo é outra coisa, qualquer coisa, menos justiça.


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