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Convidado da última segunda-feira (31/8) do Roda Viva, programa da TV Cultura, o apresentador Serginho Groisman revelou que não há negros na produção do Altas Horas. Na atração, o comunicador ainda falou sobre polêmica que envolveu seu programa em 2018.

Durante o programa, o jornalista Alberto Pereira Jr., do Trace Trends, da RedeTV!, relembrou uma piada racista da dupla César Menotti e Fabiano no Altas Horas, em 2018, onde os sertanejos afirmavam que “samba é coisa de bandido”. A fala gerou grande repercussão na época.

“Uma história que era engraçada e, na verdade, não se prestou atenção no final, onde eles falam: ‘Mas samba é coisa de bandido’. Essa história começou a refletir de uma maneira por um lado muito coerente, muito certo, porque as pessoas se sentiram atingidas e falando: ‘Samba é coisa de negro, negro relacionado com bandido e não está correto’”, completou.

Serginho admitiu então que o programa, que é gravado, não foi editado para retirar o trecho.”Na verdade, primeiro passou desapercebido. Mas deixei na edição, porque, na verdade, eu não iria tentar censurar ou cortar alguma coisa que foi dita. A repercussão foi muito grande, realmente”, relembrou.

Porém, além do racismo, o apresentador ressaltou que outra reflexão poderia ser feita na época. “Existe uma questão que foi colocada de lado. Apesar de ter todo o sentido essa discussão em relação ao samba e ao negro, que é o da população carcerária. As pessoas que fizeram uma reflexão ao que se refere essa história, e que atingia o samba por ser feito por negro, esqueceram de ver que a população carcerária é que estava sendo atacada”, opinou.

Para a apresentadora Vera Magalhães, a polêmica no Altas Horas levantou discussões importantes aos bastidores do programa. “Claro que isso causou uma reflexão na equipe. Foi, talvez, um lapso no sentido de deixar aquilo acontecer”, declarou.

“Era uma história contada de uma maneira recorrente por eles em vários programas, inclusive, no próprio Altas Horas anteriormente. Só que as pessoas não tinham esse olhar mais crítico que têm agora e com razão”, declarou Serginho.

Ele completou concordando com o que Vera: “Sim, a gente teve que fazer uma reflexão. Mas, de nenhuma maneira, eu acredito que a gente tenha deixado de dar espaço a quem merece, de dar espaço às pessoas que por alguma maneira se sentem prejudicadas, seja por gênero, raça ou qualquer atitude não democrática”, pontuou.

Ainda no assunto, Groisman foi perguntado se contava com profissionais negros na sua produção.”Na minha equipe já teve negros. Nesse momento, não. Mas se a gente falar de gêneros, têm. Acho que uma atitude que a gente tem perante a sociedade tão clara durante tantos anos tem sentido nesses momentos em que a gente faz uma reflexão um pouco mais profunda”, encerrou.

(Metrópoles)


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