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O câncer em crianças e adolescentes representa de 1% a 3% de todos os casos de câncer diagnosticados, sendo estimado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) a ocorrência de mais de 12 mil novos casos ao ano na faixa etária de zero a 19 anos.

De acordo com a oncologista pediátrica do Hapvida Saúde, Paula Carvalho, o câncer infantojuvenil corresponde a um grupo de doenças que pode acometer pacientes a partir do nascimento e se caracterizam por uma proliferação desordenada de células e podem acontecer em qualquer parte do organismo.

“A principal diferença entre o câncer infantojuvenil e o de adulto é que a maioria dos cânceres de adulto é secundário a fatores ambientais, como tabagismo e erros alimentares. Já os cânceres infantis costumam ser causados por alguma alteração genética, que nem sempre é identificada”, explica a pediatra.

Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), seguidos pelos que atingem o sistema nervoso central e depois os linfomas (sistema linfático), segundo a médica.

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Sintomas

A especialista alerta que atualmente a prevenção consiste no diagnóstico mais precoce possível. Os principais sinais e sintomas para se pensar em câncer infantojuvenil são:

– Febre prolongada sem causa aparente;

– Perda de peso inexplicada;

– Aumento do volume abdominal;

– Dor óssea;

– Sangramentos, hematomas sem relação com trauma;

– Palidez cutânea;

– Dor de cabeça diária acompanhada com vômitos;

– Alteração inexplicada no hábito intestinal;

– Ínguas em locais não usuais;

Além dos sintomas listados, a especialista recomenda que o ideal é ter um pediatra de referência e fazer acompanhamento periódico do paciente para se pensar e realizar o diagnóstico o mais precoce possível.

Tratamento

Segundo a especialista, as chances de cura variam dependendo do tipo de câncer podendo alcançar até 95% em alguns casos.

Pela sua complexidade, o tratamento deve ser feito em centro especializado. Compreende três modalidades principais (quimioterapia, cirurgia e radioterapia), sendo aplicado de forma individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença.

“Durante o tratamento o paciente deve ter uma vida regrada, mas um tempo depois que termina o tratamento o paciente retorna a vida normal, o qual pode voltar a realizar plenamente todas as atividades que fazia antes”, pondera Paula.

Controle pós-tratamento

Com o aumento das chances de cura da doença, muitos pacientes com câncer na infância são sobreviventes a longo prazo. De maneira geral, a oncologista afirma que se mantêm um controle periódico até, pelo menos, 10 anos após o término do tratamento.

É importante que continuem o acompanhamento na clínica de seguimento por um tempo maior, para reconhecimento precoce e cuidado apropriado das complicações tardias que possam surgir. A abordagem multidisciplinar destes pacientes é parte integrante do tratamento oncológico.

O trabalho coordenado de vários especialistas (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos) também é determinante para o sucesso do tratamento.


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