A adolescente palestina, Ahed Tamimi, libertada ontem (29) depois de quase oito meses na prisão após aparecer em um vídeo confrontando soldados israelenses, garantiu em entrevista coletiva que “a resistência (palestina) continua”.

Ahed, que tem 17 anos, agradeceu a campanha de apoio em seu favor, um caso com grande repercussão internacional, e pediu que esse apoio continue para os outros presos palestinos em prisões israelenses, “especialmente os menores de idade”, que são 291, segundo a organização Adameer.

“Minha felicidade não está completa porque tenho ‘irmãs’ que permanecem na prisão”, declarou Ahed, que acrescentou que esta experiência a fez decidir estudar direito.

A jovem deu a entrevista ao lado de seu pai Basem, e de sua mãe, Nariman, que também foi condenada após aparecer no vídeo e libertada hoje, em sua cidade natal, Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada, o mesmo lugar em que foi gravado o vídeo do embate com os soldados israelenses.

“Sempre vamos garantir que as crianças busquem seus direitos, e que tenham forças para seguir em frente”, afirmou Nariman.

Além disso, mãe e filha reivindicaram o papel da mulher como crucial para “a resistência palestina” contra a ocupação israelense.

Pouco antes da entrevista coletiva, a advogada Gaby Lasky disse à Agência Efe que “ficou comprovado que as razões da detenção são políticas e não legais”, e também manifestou sua preocupação com as consequências para Ahed se ela voltar a participar de manifestações.

A adolescente foi detida em 19 de dezembro quando tinha 16 anos depois que apareceu em um vídeo com sua mãe e sua prima, que também foram detidas, no qual repreendiam e agrediam soldados israelenses no quintal de sua residência em Nabi Saleh, durante distúrbios nos quais um de seus primos foi atingido por um disparo na cabeça.

Sua prima Nour foi posteriormente liberada e Ahed e sua mãe tiveram um julgamento militar, no qual aceitaram algumas das acusações após um acordo com a promotoria em março.

Ahed foi condenada por incitação e agressão com agravante, entre outras acusações, e sua mãe por incitação. (Agência EFE)