Alunos soldados da Polícia Militar do Amazonas estão sendo humilhados pelo Governo do Estado, via Comando da corporação. A denúncia foi levada à tribuna da Assembleia Legislativa pela deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB) durante a sessão plenária desta quinta-feira, 18 de outubro.

Segundo Alessandra, 28 alunos do Pelotão Upiara do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap) estão há quatro meses sem receber a bolsa ao qual têm direito porque eles estariam sem a matrícula na PM. A falta de pagamento está causando privações, pois muitos dos futuros policiais são oriundos do interior e não têm como pagar aluguel ou custear a alimentação.

“Nós lutamos muito para que o curso deles fosse iniciado. Esse curso iniciou e eles está há quatro meses sem receber a bolsa que o aluno soldado faz jus. Boa parte veio do interior do Estado e eles aqui não têm onde morar, não têm onde ficar, não têm alojamento para fazer o curso e nem recebem a sua remuneração para que eles possam se manter. São situações humilhantes e alguns chegaram a ficar um dia inteiro sem receber uma alimentação sequer da Polícia Militar”, denunciou a deputada.

De acordo com a parlamentar do MDB, o curso de formação acabou se transformando num “curso de humilhação”. Para Alessandra, no lugar de capacitar os novos policiais militares, o curso corre o risco de formar “pessoas revoltadas”.

“A maioria dos alunos está passando necessidade. No alojamento do curso existe apenas uma sala onde homens e mulheres ficam juntos. As mulheres não têm privacidade alguma para trocar de roupa, para ter algum momento preservado no intervalo entre uma atividade e outra. Não existe sequer um auxílio para o transporte”, lamentou Alessandra.

Assédio a PMs no interior

Além da situação dos alunos soldados, Alessandra denunciou o assédio moral cometido por prefeitos do interior do Estado a favor da adesão dos policiais à campanha de reeleição do governador Amazonino Mendes (PDT).

“Diversos prefeitos estão assediando os policiais militares do interior para tentar obrigá-los a apoiar a candidatura oficial. Além disso, há remoções em andamento, que é tirar policiais que não apoiam a candidatura oficial do Governo. Esse tipo de perseguição não aceitaremos e eu farei uma denúncia formal ao Tribunal Regional Eleitoral para tomar as providências. Isso é uma tentativa de uso ilícito da máquina pública no período eleitoral”, concluiu Alessandra.