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A descoberta de que um estudante de medicina brasileiro estava exercendo a profissão na Argentina, sem diploma e usando a identidade de outra pessoa, levou as autoridades a iniciar uma investigação.

O Colégio de Médicos da Província de Buenos Aires, cidade que concentra um terço da população do país, informou que há pelo menos 26 fraudes cometidas por “falsos médicos” latino-americanos. A entidade apura a existência de uma brasileira nas mesmas circunstâncias suspeitas.

O escândalo começou com a publicação, nas redes sociais, da foto do bolo de casamento do policial argentino Leandro Alberto Acevedo com o brasileiro João Peixoto dos Santos Neto, que exercia medicina no Hospital Dr. Ángel Marzetti, na cidade de Cañuelas, a 70 quilômetros de Buenos Aires.

O bolo foi decorado com as iniciais dos cônjuges (L e F), em vez de L e J. Isso porque a verdadeira identidade do falso médico é Felipe Nori Haggi Lacerda.

Suspeitas

Felipe Lacerda tinha sido colega de faculdade de João Peixoto dos Santos Neto, que é brasileiro e trabalha com médico em Bariloche, no sul da Argentina. Mas Lacerda ainda precisava cursar três matérias para se formar e, para poder trabalhar, se apresentou com identidade falsa e matrícula do ex-colega de estudos.

A troca de letras no bolo causou suspeitas entre colegas do mesmo hospital. Mas a fraude foi descoberta quando Lacerda pediu licença para a lua de mel e teve que apresentar a certidão de casamento. Na Argentina, é permitida a autorização entre pessoas do mesmo sexo.

Felipe Lacerda é suspeito de adulterar o documento para colocar o nome falso. O hospital pediu ao Registro Civil o envio do documento original. Desde então, Lacerda não apareceu mais no trabalho, mas o cônjuge dele foi afastado do cargo.

O advogado do verdadeiro João Peixoto dos Santos Neto disse que seu cliente ficou “chocado” ao descobrir que a sua identidade estava sendo usurpada por Lacerda e o denunciou à Justiça.

Mais denúncias

Além do caso de Felipe Lacerda, há o da brasileira Thais Soares Costa, que trabalhava no mesmo hospital de Cañuelas, utilizando identidade e matrícula de outra colega. Nos últimos dias, surgiram denúncias em outros hospitais, envolvendo “falsos” médicos da Bolívia, Colômbia e Venezuela.

A Associação de Médicos da Republica Argentina denunciou “a proliferação de médicos com matrículas falsas”, o que constitui “um delito gravíssimo”.

Estudantes de vários países da América Latina, muitos deles do Brasil, estudam medicina na Argentina, pois há universidades públicas gratuitas, que têm prestígio e não exigem vestibular. E as universidades privadas são mais baratas do que as brasileiras.

Os “falsos” médicos são acusados de fraude, falsificação de documento público, exercício ilegal da medicina e usurpação de títulos e honrarias. 


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