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Brasil Economico – Inflação afetou desempenho do setor. Confederação Nacional do Comércio estima expansão de 6,5% em 2014

Rio – O setor do varejo está menos animado com o resultado das vendas em 2013. Apesar de estimar aumento, a inflação e os juros mais altos diminuíram a velocidade do consumo, que vinha bem acima dos patamares do PIB nos últimos dez anos. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) projeta crescimento de 4,5%, a menor taxa desde 2003, quando o varejo teve retração de 3,7%. Nesta quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que as vendas do setor apresentaram expansão de 0,7% em novembro, depois de registrar aumento de 0,3% em outubro.

De acordo com o economista da CNC Fábio Bentes, em 2013, o setor sofreu com a escalada da inflação, com a alta dos juros e com a menor procura por crédito. "O setor de supermercados foi o destaque negativo, impulsionado pela alta de preços dos alimentos", disse.

O segmento de hiper e supermercados, que exerce o maior impacto sobre o varejo, com peso de 40%, continua abaixo da média do comércio, sob reflexo da inflação. Cresceu 1,9% de janeiro a novembro, em um cenário de mercado de trabalho em expansão. Em novembro, no entanto, as vendas de hiper e supermercados aumentaram 5,7% em relação a novembro de 2012. De acordo com a coordenadora da pesquisa de varejo do IBGE, Aleciana Gusmão, o bom resultado deveu-se principalmente à inflação mais comportada dos alimentos no mês. "Os preços dos produtos alimentícios estão em patamar mais baixo", disse.

Em relação a outubro de 2013, na série com ajuste sazonal do comércio varejista ampliado, houve altas em 9 das 10 atividades pesquisadas, com destaque para veículos e motos, partes e peças (2,5%). Para 2014, apesar do fim da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), a CNC prevê uma recuperação no ritmo de alta. Até junho, o IPI voltará ser cobrado de forma integral para automóveis.

Para a coordenadora da pesquisa do IBGE, o bom desempenho dos setor automobilístico em novembro se deu pela notícia antecipada da volta do IPI. "Os números refletem uma antecipação de compra, que possivelmente não deverá se repetir no início deste ano", disse.

"A volta do imposto será contrabalanceada pela inflação, que não deve ser tão alta como foi no primeiro semestre do último ano. Isso ajudará o setor a crescer em velocidade de cruzeiro ao longo de 2014", disse Fábio Bentes, para quem o desempenho do comércio varejista este ano deverá apresentar expansão de 6,5%.

Em 2012, o comércio registrou expansão de 8,4%. O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz, o setor varejista deverá apresentar "comportamento restritivo" em 2014 diante das elevações seguidas da taxa de juros e do efeito negativo da inflação, ainda resistente, sobre o consumo.


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