O candidato Wilson Lima (PSC), disparado nas pesquisas de intenção de votos, com uma larga vantagem em relação ao seu opositor, Amazonino Mendes, foi um dos principais destaque da edição da segunda-feira, 22, da Folha de São Paulo.

“No Amazonas, o tsunami da renovação política tem como o maior representante o apresentador de TV Wilson Lima (PSC), 42”, destaca o autor da matéria, jornalista Fabiano Maisonnave.

Wilson Lima, conforme destacou a reportagem da Folha, chegou à polícia sem a bênção dos caciques e que até o final do primeiro turno dispunha apenas de 25 segundos no horário eleitoral gratuito e que, mesmo assim, obteve 33,73% dos votos válidos, contra 32,74% para Amazonino.

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No Amazonas, o tsunami da renovação política tem como o maior representante o apresentador de TV Wilson Lima (PSC), 42. Novato nas urnas, surpreendeu ao ser o mais votado no primeiro turno e agora disputa o governo estadual com o atual incumbente, o veteraníssimo Amazonino Mendes (PDT), 78.

Sem a bênção dos caciques, o jornalista tem como o maior aliado a Rede Calderaro de Comunicação, conglomerado de 11 empresas que inclui a afiliada local da TV Record e o diário A Crítica, o principal do estado. Em dificuldades financeiras, o grupo tem promovido cortes e atrasado salários de seus funcionários.

De 2010 até junho, Lima comandou o “Alô Amazonas”, popular programa policialesco transmitido das 11h às 14h, de segunda a sexta-feira. Em meio a reportagens sobre crimes, criticava a impunidade, fazia merchandising e saía do ar de mãos dadas com o anão Guma, subcelebridade de Manaus.

Para compor a chapa, o apresentador conta com um colega do “Alô Amazonas”, o defensor público Carlos Alberto Almeida (PRTB), que tinha um quadro para falar sobre direitos trabalhistas e outros temas de cidadania.

Assim como em outros estados, a troca da TV pela política não é novidade no Amazonas. O caso mais notório foi do apresentador de TV e deputado estadual Wallace Sousa (PP), morto vítima de ascite quando cumpria pena, em 2010. Em 2006, descobriu-se que ele pagava um PM para matar supostos traficantes com o objetivo de alavancar a audiência de seu programa policialesco.

A diferença de Lima com os predecessores é que nenhum deles havia alçado voo tão alto. No último dia 8, o jornalista, que tinha apenas 25 segundos no horário eleitoral gratuito, obteve 33,73% dos votos válidos, contra 32,74% para Amazonino, que busca o seu quinto mandato como governador.

Em vantagem nas pouco confiáveis pesquisas eleitorais locais, Lima aposta no discurso da renovação e em colar a imagem a Jair Bolsonaro (PSL). Afirma que a campanha é financiada principalmente pelo PSC e aposta na propagação via redes sociais.

(O capitão reformado do Exército também é respaldado por Amazonino, contrariando a orientação do PDT, de apoio crítico ao petista Fernando Haddad.)

“Desde que comecei a atuar no rádio, já senti a necessidade que o cidadão tinha de ter voz”, disse Lima, em entrevista à Folha em uma casa transformada em estúdio, em bairro nobre de Manaus.

Dono de uma voz potente, treinada desde que começou na rádio, aos 15 anos, o candidato aparenta ter menos do que os seus 42 anos. O ar jovem é reforçado pela camisa quase sempre para fora da calça, o que também serve para disfarçar um ligeiro sobrepeso.

O apresentador disse que a migração para a política ocorreu a pedido dos telespectadores. “Sempre tive minhas reservas com a relação à política. Mas, com o passar do tempo, começa a ficar claro que a gente precisa mudar. E não adianta ficar só falando, tem de partir pra ação.”

Funcionário licenciado da Rede Calderaro, Lima tinha liberdade de fazer anúncios políticos durante o programa, como a decisão de se desfiliar do PR, no ano passado. Ele, no entanto, nega que se trata de apoio.

“A emissora sempre me deu muita liberdade para eu tocar o programa. E, naquele momento, quando fiz isso, não é um comprometimento com a rede ou com a emissora, mas com as pessoas que me acompanhavam no dia a dia. Elas precisavam dessa resposta”, afirmou.

Ao longo da campanha, Lima tenta esconder a pouca experiência com declarações genéricas. Sobre segurança pública, um dos principais temas da campanha estadual, disse à reportagem que “bandido não vai ter vida fácil no nosso governo, não”.

Contrário à discriminalização das drogas, promete combater o narcotráfico aumentando o efetivo policial, reforçando a fronteira com Peru e Colômbia e criando projetos de esporte e lazer para jovens.

Questionado sobre a principal promessa de Bolsonaro para a segurança pública, facilitar o porte de armas, afirmou que, “se o cidadão entender que tem de usar uma arma, é um direito que tem de ser respeitado. Mas eu, Wilson Lima, jamais quero pegar numa arma.”

Lima leva ampla vantagem sobre Amazonino, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta sexta-feira (19). O jornalista tem 65% das intenções de voto válido, contra 35% para o pedetista. O levantamento, encomendado pela Rede Amazônia, afiliada da TV Globo, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.