Milhares de pessoas paralisaram a cidade de Buenos Aires com manifestações e sopões gratuitos nesta quarta-feira para exigirem a declaração de uma emergência alimentar e protestarem contra o ajuste econômico implementado pelo governo de Mauricio Macri, que visa receber auxílio do Fundo Monetário Internacional (FMI) para sanar a crise do país.

“Em um país que tem trabalho e gera alimentos para 400 milhões de pessoas, estamos a um passo de ver a fome ser instalada nos bairros mais humildes, colocando em risco a paz social”, argumentou Daniel Menéndez, coordenador nacional da associação Bairros de Pé, uma organizadoras dos atos.

Durante as manifestações, que também contaram com a presenda da Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), da Corrente Classista e Combativa (CCC) e do Movimento Evita, Menéndez pediu para que Mauricio Macri reformule as políticas de modo que o povo tenha “o que comer e possa viver em paz”.

“Isso depende das políticas econômicas, de não aprofundar a deterioração que existe. Para isso, é preciso que haja responsabilidade”, explicou o ativista, que diz ser necessário congelar as tarifas, conter o preço da cesta básica e revisar o acordo com o FMI.

O governo de Mauricio Macri fechou em junho um acordo com o FMI para obter um financiamento de US$ 50 bilhões, com os quais pretende conter a agressiva desvalorização do peso e resistir à deterioração da macroeconomia.

Na opinião de Darío Díaz, da CTEP, o dinheiro do FMI deveria ser destinado a infraestruturas, obras e à cesta básica. Segundo ele, “este ajuste brutal está matando mais” os argentinos.

De acordo com os organizadores dos protestos, “se não houver respostas”, todos vão aderir à greve geral que os sindicatos preparam para o dia 25 de setembro. (EFE)