Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná - Luíza Vaz / RPC
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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 48ª fase da Operação Lava-Jato — a primeira de 2018. A investigação foca em um esquema de corrupção na concessão de rodovias no Paraná. Foram expedidos sete mandados de prisão temporária e outros 50 de busca e apreensão. Um dos alvos de busca é o advogado Carlos Nasser, assessor da Casa Civil do governo paranaense e citado pela imprensa local como homem de confiança do governador Beto Richa (PSDB).

A investigação cita dois operadores já conhecidos pela Lava-Jato: o advogado Rodrigo Tacla Duran, que vive na Espanha e já foi acusado de fazer transferências financeiras para a Odebrecht no exterior, e Adir Assad, condenado pelos juízes Sergio Moro e Marcelo Bretas por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o esquema investigado pela operação desta quinta-feira favoreceu a empresa Econorte, do Grupo Triunfo, na concessão de rodovias federais que compõem o chamado Anel da Integração, rede de estradas que liga as principais cidades do Paraná. Segundo os procuradores, a empresa distribuía parte dos valores obtidos pelo pedágio para empresas de fachada.

A empresa teria usado estratégias contábeis para aumentar despesas operacionais, subindo, com isso, o valor das tarifas, e desviar parte desse dinheiro para integrantes do esquema.

Em uma das trocas de e-mails obtidas pela investigação, um dos servidores acusados recebeu um quadro que demonstrava que a tarifa cobrada pela Econorte era mais de quatro vezes maior no Paraná do que a cobrada pela mesma empresa em Goiás.

“Há indicativos que o esquema se repete em outros estados que possuem rodovias administradas pela mesma empresa, como também há suspeitas de que as fraudes abrangem outras concessionárias no Paraná”, afirma o MPF.

A operação ocorre em quatro estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio. Membros da Receita Federal e o Ministério Público Federal também participam da ação. As cidades em que mandados estão sendo cumpridos são Londrina, Curitiba, Jataizinho, Paranavaí, Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e São Paulo.

A Econorte teria depositado, entre 2012 e 2014, R$ 1 milhão para o operador Rodrigo Tacla Duran, que já foi alvo de operação da Lava-Jato e está foragido na Espanha. Outras empresas do Grupo Triunfo também depositaram mais R$ 5 milhões a Tacla Duran e outros R$ 26 milhões a outro operador financeiro investigado pela Lava-Jato, Adir Assad.

Inicialmente, as irregularidades nas concessões foram descobertas pela Procuradoria da República de Jacarezinho. Os fatos foram, então, remetidos à força-tarefa de Curitiba em razão de sua ligação com os fatos investigados na Lava-Jato.

A investigação em Jacarezinho revelou uma rede de empresas de fachada com a participação de agentes públicos e operadores financeiros. Ao todo, R$ 63 milhões teriam sido repassados a empresas de fachada. De acordo com a força-tarefa da Lava-Jato, as empresas concessionárias favorecidas teriam recebido aproximadamente R$ 2,3 bilhões em tarifas pagas pelos usuários.

Além disso, as empresas teriam superfaturado os valores das obras. Em alguns dos itens da planilha, segundo o Ministério Público Federal, o sobrepreço alcançou 89%.

Os procuradores acreditam que esses pagamentos fazem parte de um “gigantesco esquema de fraudes” entre os administradores da concessionária em conluio com agentes públicos.

As investigações identificaram repasses a empresas ligaedas a funcionários públicos do Departamento de Estradas e Rodagens do Paraná (DER/PR), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e da Casa Civil do Estado do Paraná, além de empresas controladas por operadores do esquema. Os valores eram sacados em espécie.

A última operação da força-tarefa do Paraná havia sido deflagrada em novembro de 2017. A nova ação investiga crimes de corrupção, fraude a licitação e lavagem de ativos. Os investigadores descobriram o uso de estruturas de lavagem de dinheiro para repassar recursos ilícitos a agentes públicos, sobretudo por meio dos operadores Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran.

Uma das concessionárias usou os serviços de Assad e de Tacla Duran para ocultar e dissimular valores de atos de corrupção. Os pagamentos ilícitos envolvem agentes públicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER/PR) e da Casa Civil do Governo do Estado do Paraná. (Fonte O Globo)


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